Terreno conta com inúmeras árvores frutíferas e os vizinhos desejam que PMU o desaproprie para a implantação de parque
Grupo de moradores do bairro Santa Maria se mobiliza para evitar construção de prédio em área verde particular. O terreno está localizado no cruzamento das avenidas Maranhão e Santa Beatriz, no número 79. No local existem diversos tipos de árvores, principalmente frutíferas, além de animais silvestres, como micos e pássaros, um espaço que, segundo os moradores, deveria ser preservado, transformado em área de lazer, e não para construção de edifício. Para isto estão sendo colhidas assinaturas para elaboração de documento a ser encaminhado às autoridades pedindo intervenção no processo de construção na área.
Marcelo Gutemberg de Souza mora próximo ao terreno desde que nasceu e, de acordo com ele, o local hoje é conhecido como “Chácara do Seu Antônio”, o antigo morador que já faleceu, e tem lembranças boas da infância quando brincava com amigos neste lugar. “Este é um local com mais de 20 tipos de árvores frutíferas, habitat de dezenas de espécies, como saracuras, tucanos, canários da terra, papagaios, periquitos, micos, entre outros. Existem também minas d’água. É um espaço com temperatura amena, com diferença térmica de até quatro graus em relação aos outros locais. São muitas qualidades que não podemos deixar que sejam destruídas”, explica.
Gutemberg lembra ainda dos problemas que todo país está enfrentando com a falta de água. A necessidade da preservação de árvores e minas é de grande relevância para que os rios não sequem. “E vamos lutar para que não seja construído o edifício neste local, não é possível que não exista na cidade um espaço deste tamanho ou até mesmo maior para esta obra. Uma campanha nas redes sociais e site, com o nome ‘Vamos Preservar e Salvar a Chácara do Seu Antônio’, está sendo elaborada, acompanhada com o abaixo-assinado de pessoas que defendem a permanência desta área verde. Eles serão apresentados ao prefeito Paulo Piau e também aos vereadores para que se mobilizem e evitem a construção do edifício”, diz.
Vale ressaltar que no momento não há ilegalidade nenhuma praticada pela construtora. Ela comprou o terreno dos proprietários e somente depois do início da obra, com a vistoria da Secretaria de Meio Ambiente, será possível afirmar se é ou possui espaços caracterizados como área de preservação ambiental. Atualmente existe morador no local, mas não são os donos, antes mesmo de se instalar estavam cientes desta possibilidade. “Os proprietários cederam o espaço para que ficasse habitado, evitando assim invasões. Os moradores já foram comunicados que terão de sair. Mas este não é o problema, eles sabiam que isto podia acontecer. Na verdade, o que queremos é evitar que o prédio seja construído, para preservação deste espaço verde, que pode ser utilizado para outros fins, como, por exemplo, a desapropriação por parte da Prefeitura e implantação de um parque”, afirma Marcelo.