Sobremesa encontrada por até R$ 27,50 acompanha tendência nacional puxada pelas redes sociais
(Foto/Reprodução)
O morango cravejado, nova versão do doce que virou febre nas redes sociais em 2025, começa a ganhar espaço nas confeitarias e no delivery de Uberaba. A sobremesa combina morango fresco, brigadeiro branco, chocolate branco e pedaços crocantes de caramelo vermelho, responsáveis pelo visual que deu origem ao nome. Em levantamento realizado pelo Jornal da Manhã, unidades do doce foram encontradas na cidade por preços entre R$ 18 e R$ 27,50.
A tendência, que ganhou força ao longo de agosto, também chama atenção pelos números nacionais. Segundo dados do iFood divulgados pela Exame, as primeiras compras do morango cravejado na plataforma foram registradas em 20 de agosto. Até 30 de agosto, o volume de pedidos havia crescido 105.200%, equivalente a 1.053 vezes em 11 dias. Minas Gerais aparece entre os estados com maior demanda, respondendo por cerca de 8% dos pedidos registrados.
A procura também disparou nas buscas na internet. Segundo dados do Google Trends divulgados por veículos que acompanharam a tendência, as pesquisas pelo termo “morango cravejado” cresceram cerca de 5.000% na última semana de agosto.
Em Uberaba, os valores encontrados pelo Jornal da Manhã mostram que o preço da sobremesa varia conforme o estabelecimento e a composição. Foram identificadas unidades a R$ 18, R$ 22,90, R$ 25,50 e R$ 27,50.
O preço final, porém, precisa considerar não apenas chocolate, leite condensado e demais ingredientes, mas também o custo do próprio morango. Em levantamento realizado em alguns varejões da cidade, a bandeja da fruta foi encontrada por R$ 5,99, R$ 6,99, R$ 8 e R$ 13,99, mostrando uma diferença significativa de preços entre os estabelecimentos.
Para quem trabalha de forma independente, essa variação pesa diretamente na formação do preço. A confeiteira Sabrina Dias explica que o morango é um ingrediente delicado para quem precisa equilibrar custo, qualidade e prazo de venda. “Além do custo de aquisição da fruta em si (que varia muito por ser de época), o morango é altamente perecível e solta água com facilidade. Se não houver uma rotatividade rápida de vendas, a perda do insumo é certa, e esse risco de desperdício precisa estar embutido no preço final do produto para não gerar prejuízo”, explica.
Segundo Sabrina, agosto costuma ser um período de menor movimento para a confeitaria independente. O mês vem logo após as férias escolares e coincide com despesas como viagens e compra de material escolar, o que pode reduzir os pedidos de doces e delivery.
Nesse cenário, uma tendência que chega rapidamente às redes sociais pode representar uma oportunidade para os pequenos negócios. “Produtos que viralizam nas redes sociais, como o morango cravejado, geram um forte desejo imediato nos clientes de experimentarem o que está sendo comentado e se sentirem por dentro da tendência. Isso cria um pico de demanda que muitas vezes ajuda a salvar o faturamento em meses tradicionalmente mais fracos, como foi agosto”, explica.
A confeiteira, no entanto, afirma que acompanhar uma tendência não significa simplesmente aumentar a produção. Para pequenos empreendedores, o risco está em comprar ingredientes em grande quantidade sem garantia de que a procura permanecerá alta. “Uma tendência viral pode tanto salvar o faturamento do mês quanto afundar as finanças. Por isso, é fundamental analisar a viabilidade real antes de se arriscar a produzir tudo o que aparece na internet”, ressalta.
Além do morango, outros ingredientes utilizados na produção também pressionam os custos da confeitaria. Sabrina aponta o chocolate e o leite condensado entre os produtos que tiveram forte aumento de preço. “Os maiores desafios hoje são manter o equilíbrio entre um preço justo para o consumidor e a alta qualidade do produto. Os insumos básicos da confeitaria subiram drasticamente, o que dificulta fazer com que a precificação correta e o padrão dos produtos andem lado a lado”, disse.
Para ela, o desafio é transformar o interesse momentâneo provocado pelas redes sociais em uma venda que realmente seja vantajosa para o empreendedor.
A combinação entre fruta fresca, chocolate e caramelo também exige atenção ao armazenamento e à velocidade das vendas. Diferentemente de produtos menos perecíveis, o morango pode representar prejuízo quando não é comercializado rapidamente.
O movimento lembra o que aconteceu com o morango do amor em 2025, quando a sobremesa tomou conta das redes sociais e passou a aparecer em confeitarias de diferentes cidades. Agora, o morango cravejado retoma a mesma base, mas substitui a cobertura uniforme de caramelo por chocolate branco com pedaços crocantes de caramelo vermelho.
A velocidade com que a nova sobremesa chegou ao delivery mostra a força das tendências gastronômicas impulsionadas pelas redes. No iFood, o volume de pedidos chegou a ser 350 vezes maior no pico de 26 de agosto em comparação com o primeiro registro, feito no dia 20. No dia 26, os pedidos cresceram 111% em relação ao dia anterior, enquanto o número de unidades aumentou 113%.
Para as confeiteiras independentes, porém, o sucesso de uma trend precisa ser acompanhado de planejamento. O desafio é aproveitar a curiosidade do consumidor sem transformar a tentativa de acompanhar a internet em estoque parado e prejuízo.
Sabrina, que começou na confeitaria para empreender de casa e conciliar o trabalho com a rotina das filhas, resume o desafio de quem está por trás dos doces virais: aproveitar a oportunidade sem perder de vista a realidade financeira do negócio.