
Suporte mecânico mantém oxigenação e circulação por determinado período mesmo após a confirmação do diagnóstico (Foto/Ilustrativa)
O coração pode continuar batendo mesmo depois que a morte encefálica foi confirmada. Isso acontece porque aparelhos mantêm artificialmente a respiração, a oxigenação e a circulação do organismo por determinado período. Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, o médico Ilídio Antunes de Oliveira Junior, coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIH-DOTT) do Hospital de Clínicas da UFTM (HC-UFTM), explicou como funciona o diagnóstico e por que essa situação não significa possibilidade de recuperação.
A morte encefálica ocorre quando há perda completa e irreversível das funções do cérebro. Antes da confirmação, porém, o paciente não é considerado em morte encefálica: existe uma suspeita que precisa ser investigada por meio de avaliações e exames específicos. “Antes, você não fala em morte encefálica. O paciente está vivo. Ele tem suspeita. E aí a gente vai fazer as avaliações”, explica.
O protocolo inclui exames clínicos realizados por médicos capacitados e exames complementares. Somente depois da confirmação é que o diagnóstico pode ser comunicado à família e a equipe pode abordar a possibilidade de doação de órgãos.
Uma das principais dúvidas é como o coração pode continuar funcionando se a morte encefálica foi confirmada. Segundo Ilídio, isso ocorre porque os aparelhos conseguem manter artificialmente a oxigenação e a circulação do organismo por determinado período. “Por causa dos aparelhos. É sustentado pelos aparelhos. À medida que você oxigena com suporte mecânico, você está jogando oxigênio em todas as células do organismo”, explica.
Com o suporte artificial, o sangue continua circulando e levando oxigênio aos órgãos. Por isso, mesmo após a confirmação da morte encefálica, o coração pode continuar batendo por algum tempo.
A situação, porém, não significa que exista possibilidade de recuperação. De acordo com o médico, após a confirmação do diagnóstico conforme o protocolo, não há reversão do quadro.
Ilídio destaca que a confirmação da morte encefálica segue critérios definidos e envolve diferentes profissionais. Segundo ele, mais de 70 médicos já foram capacitados no HC-UFTM para realizar o diagnóstico.
O especialista reforçou ainda que a possibilidade de doação só é discutida após a conclusão do protocolo. Antes disso, a prioridade continua sendo o tratamento e a tentativa de recuperação do paciente. “Só depois que confirmado. Antes, você não fala em morte encefálica. O paciente está vivo”, afirma.
A diferença entre a morte encefálica e a aparência de um organismo que ainda apresenta batimentos cardíacos pode ser difícil de compreender para os familiares. Por isso, a explicação sobre o diagnóstico e sobre o funcionamento do suporte artificial é uma etapa importante do processo de acolhimento antes da conversa sobre a doação.