O Mounjaro (tirzepatida) pode fazer parte do tratamento de uma paciente com lipedema quando há sobrepeso ou obesidade associados, mas não é indicado especificamente para combater o acúmulo de gordura provocado pela doença. A explicação é do médico Pedro Pereira, que falou sobre o assunto durante entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM.
Segundo o médico, quando existe indicação para tratar o excesso de peso, a tirzepatida pode contribuir também para a melhora do lipedema. “Como a gente vai tratar o sobrepeso e obesidade, por também o Mounjaro ter um efeito de controle da inflamação sistêmica, vai também melhorar o lipedema”, explica.
A situação é diferente para mulheres que têm lipedema, mas não apresentam sobrepeso ou obesidade. Nesse caso, o medicamento não deve ser utilizado apenas com o objetivo de reduzir o volume das pernas.
Pereira é direto ao explicar essa diferença: “Agora, a mulher que faz uma dieta, a mulher que é magra, a mulher que não tem um sobrepeso e obesidade, o Mounjaro isoladamente vai melhorar esse lipedema? Não. Não está indicado nesse caso.”
O medicamento, portanto, não deve ser entendido como um tratamento específico para o lipedema. A tirzepatida entra quando existe uma condição associada que justifique seu uso, enquanto o lipedema precisa ser acompanhado de acordo com suas próprias características.
A indicação do medicamento depende da avaliação individual da paciente e das condições que precisam ser tratadas. O médico reforça que a tirzepatida pode ser utilizada para o sobrepeso e a obesidade e que seus efeitos sobre a inflamação sistêmica podem contribuir para o quadro de lipedema. “Então, tem que ser muito individualizado”, afirma Pereira.
A recomendação é que a paciente não utilize o Mounjaro por conta própria nem associe automaticamente a presença de lipedema à necessidade de usar a medicação. A indicação deve ser feita por profissional de saúde, considerando o quadro clínico e as condições associadas.