Juliana Melo Resende e Renata Rosa Corrêa explicam que excesso de peso aumenta risco de diabetes, dores articulares e doenças crônicas
A obesidade, no entanto, nem sempre é percebida pelos tutores logo no início (Foto/Divulgação)
A obesidade já é considerada a principal doença nutricional entre cães e gatos e preocupa médicos-veterinários pelo avanço dos casos. Estimativas apontam que entre 40% e 60% dos animais de companhia estão acima do peso ou obesos, condição que aumenta o risco de doenças crônicas, reduz a qualidade de vida e pode diminuir a expectativa de vida dos pets em até dois anos. Em Uberaba, profissionais da área afirmam que o problema tem se tornado cada vez mais frequente nos consultórios veterinários.
As médicas-veterinárias Juliana Melo Resende e Renata Rosa Corrêa, que atuam em Uberaba, alertam que o excesso de peso deixou de ser apenas uma questão estética e passou a representar um importante problema de saúde. Renata é sócia de um hospital veterinário na cidade e acompanha diariamente pacientes atendidos em Uberaba e região, realidade que, segundo ela, confirma o crescimento da obesidade entre os animais de estimação.
Segundo Juliana, cerca de quatro em cada dez cães e gatos apresentam sobrepeso. Renata destaca que estudos nacionais e internacionais estimam que entre 40% e 60% dos animais de companhia estejam acima do peso, percentual que vem aumentando nos últimos anos.
Para as especialistas, o problema está diretamente relacionado aos hábitos dos próprios tutores. O excesso de alimento, a oferta frequente de petiscos e a falta de atividade física aparecem entre as principais causas da obesidade.
Renata explica que a castração, quando não é acompanhada por ajustes na alimentação, também favorece o ganho de peso. Ela acrescenta que a humanização dos animais contribui para o problema, já que muitos tutores utilizam a comida como forma de demonstrar carinho.
Juliana chama atenção para outro hábito bastante comum: oferecer alimentos preparados para consumo humano.
"É muito frequente vermos cães e gatos recebendo pães, biscoitos, pizzas, salgadinhos e outros alimentos altamente calóricos. Além disso, muitos animais permanecem com ração disponível o dia inteiro, sem qualquer controle da quantidade ingerida", explica.
A obesidade, no entanto, nem sempre é percebida pelos tutores logo no início.
Segundo as veterinárias, a balança é apenas um dos parâmetros utilizados na avaliação. Juliana orienta que os responsáveis observem se o animal demonstra cansaço durante caminhadas, dificuldade para levantar, alterações respiratórias ou menor disposição para brincar.
Ela também recomenda avaliar o chamado escore de condição corporal.
"Quando olhamos o animal de cima, ele deve apresentar cintura. Ao toque, as costelas precisam ser facilmente palpáveis, sem excesso de gordura cobrindo essa região", explica.
Renata acrescenta que, visto de lado, o abdômen deve apresentar um leve recolhimento. Quando o corpo assume um formato arredondado e as costelas deixam de ser percebidas com facilidade, o animal pode estar acima do peso ideal.
Juliana afirma que animais obesos apresentam maior risco de desenvolver diabetes mellitus, artrite, displasia, problemas cardiorrespiratórios e outras doenças crônicas. Segundo ela, a expectativa de vida pode ser reduzida entre um e dois anos e meio.
Renata acrescenta que a obesidade também favorece hipertensão, doenças urinárias, alterações hepáticas e aumenta os riscos durante anestesias e cirurgias.
"O excesso de gordura provoca um estado inflamatório crônico no organismo e aumenta a sobrecarga nas articulações, causando dor, desconforto e perda de mobilidade", explica.
As veterinárias também alertam que reduzir a quantidade de ração por conta própria não é uma solução segura.
Segundo Juliana, o emagrecimento deve ser acompanhado por um médico-veterinário e combinar alimentação específica, controle das porções, atividade física e avaliações periódicas.
Renata explica que restringir a alimentação sem orientação pode provocar deficiência nutricional e perda de massa muscular.
"O tratamento precisa ser individualizado. Primeiro avaliamos a condição clínica do paciente, investigamos possíveis doenças hormonais, calculamos a necessidade energética e, a partir daí, elaboramos um plano seguro de perda de peso", destaca.
Na rotina do hospital veterinário onde atende em Uberaba, Renata afirma que o número de cães e gatos obesos tem aumentado nos últimos anos. Segundo ela, os casos são mais comuns em animais castrados, de meia-idade ou idosos e com baixa atividade física.
Ela observa que muitos tutores ainda associam comida ao afeto e acabam oferecendo petiscos e alimentos fora da dieta diversas vezes ao dia. Ao mesmo tempo, percebe uma mudança gradual de comportamento, com mais famílias procurando orientação antes que o excesso de peso provoque doenças.
Juliana faz um alerta semelhante. Para ela, um dos maiores desafios continua sendo mudar a percepção dos próprios tutores.
"Muitos donos ficam com dó de restringir os petiscos ou acreditam que o animal vai passar fome se receber apenas a quantidade correta de ração. Outros enxergam o pet acima do peso como um animal fofinho e bem cuidado, quando, na verdade, ele pode estar desenvolvendo problemas de saúde", afirma.
Para as duas médicas-veterinárias, reconhecer a obesidade como uma doença e não como uma característica do animal é o primeiro passo para garantir mais qualidade de vida, prevenir enfermidades e aumentar a longevidade dos cães e gatos.