Foto/Neto Talmeli
O desabastecimento obriga os moradores a vigiarem as torneiras. Muitas vezes, a água só chega de madrugada
Moradores do bairro Volta Grande sofrem com falta de água há anos. A situação acontece pelo menos uma vez no ano e atinge principalmente aqueles que moram na região mais alta do bairro.
Neide da Silva Campos mora no conjunto habitacional há 35 anos, e de acordo com ela, desde que mudou para o bairro enfrenta problemas com o abastecimento de água. “No período de seca isso sempre acontece. Entre os meses de agosto e outubro ficamos por cerca de três dias sem água; tendo que contar com a ajuda de familiares e amigos para os serviços essenciais. E isso gera transtorno, um problema que já deveria ter sido resolvido”, reclama Neide.
A moradora destaca ainda que é preciso vigiar a caixa d’água para saber quando o abastecimento será normalizado, e isso normalmente acontece de madrugada. “Assim que a água chega temos que levantar da cama e começar as tarefas de casa, como lavar as roupas, louças, fazer a limpeza, e ainda armazenar em baldes para atender as necessidades do dia, como escovar os dentes. E para ajudar os vizinhos, ainda comunicamos na rua que a água chegou”, relata a moradora.
Por diversas vezes os moradores questionaram o Codau sobre essa situação, na tentativa de uma solução definitiva, mas a justificativa sempre foi a mesma: de que o problema no abastecimento de algumas residências do bairro é porque estão localizadas na parte mais alta. “Também moro há alguns anos no Volta Grande e, realmente, a falta de água é recorrente, assim como outros, já ouvi esta explicação do Codau, mas penso que já é hora de resolverem o problema, ou pelo menos nos explicar quais são os planos da autarquia para dar um fim neste transtorno”, explica o promotor de eventos Gilmar das Chagas, que está indignado com aumento nos valores da conta de água.
De acordo com o posicionamento encaminhado pela assessoria de imprensa do Codau, o problema relatado pelos moradores não é atual, e sim uma situação do passado, tanto é que em 2015 não houve falta de água. A autarquia, em 2015, recebeu menos de 1% de reclamações de falta de água em um universo de 240 mil ligações em toda a cidade.
Portanto, o Codau explica que várias obras inseridas no projeto Mais Água (destinado a aumentar em 50% na capacidade de reservação da cidade e dobrar o número de adutoras da cidade), entraram em operação antes do período de seca, como por exemplo, a implantação de novas adutoras, sub-adutoras, interligações e novos registros. O Volta Grande foi um dos setores que recebeu obras, entre elas a grande adutora diagonal, que beneficiou diretamente o Centro de Reservação 6, no bairro Olinda, que abastece a região do Volta Grande. Esta adutora agilizou o reabastecimento do CR-6. Foi um ganho para toda a região noroeste, inclusive o Volta Grande. Portanto, o Codau afirma que o problema já foi há muito solucionado.
Lazer. Outra situação apontada pelos moradores do bairro Volta Grande está relacionada ao lazer. Apesar de existir no bairro uma praça, a comunidade reivindica mais opções, para que haja mais investimentos, sobretudo melhorias em um campo de futebol, construído pela Associação de Moradores, e que aparentemente está abandonado. Conforme relatos da comunidade, caso estivesse em boas condições, poderia ser um espaço de lazer, para realização de campeonatos de futebol, ou ainda atividades com as crianças. Hoje, o mato toma conta dessa área, e nem parece ser um campo de futebol.