CIDADE

Profissionais da saúde criam documento de orientação em seminário antidrogas

O documento visa orientar profissionais a esgotarem as possibilidades do município antes da internação

Letícia Morais
Publicado em 30/09/2015 às 15:49Atualizado em 16/12/2022 às 22:02
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 Durante o 1º “Seminário Regional de Saúde Mental e Políticas sobre Drogas: a Rede de Atenção Psicossocial” foi construído um documento com orientações técnicas para respaldar a prática na área, no território dos municípios. O documento é embasado no respeito às recomendações da legislação vigente, mais especificadamente, nas diretrizes da Reforma Psiquiátrica e da Política de Direitos Humanos.

Segundo o diretor de atenção psicossocial, Sergio Marçal, esse é um documento técnico que resume o evento e será encaminhado a todos os gestores, profissionais do Direito (promotores e defensores públicos) e a assistência social. “O documento é para que os profissionais, antes de pedirem a internação do paciente, esgotarem todas as possibilidades que o município e a região oferecem, como o recurso aberto”, explicou.

São chamados de recursos abertos os Centros de Atenção Psicossocial ao Dependente de Álcool e Drogas (Caps AD) e os ambulatórios. “A grande dificuldade é que os muitos municípios pequenos não têm esses serviços. E para abrir este serviço é necessário porte populacional”, ressalta Sérgio.

Para o diretor de atenção psicossocial, alternativa para superar este problema seria consórcios entre municípios. “Se dois municípios menores se juntarem e abrirem um serviço para atender a ambos a população será somada. Isso resultará na população mínima exigida pelo Ministério da Saúde e o serviço será atendido e financiado nos dois municípios”, afirmou.

Uberaba é referência no atendimento psicossocial

Atualmente, Uberaba possui quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que são divididos por segmentos populacionais. Cada Caps possui um setor de psiquiatria, psicologia, assistência social, farmacêutico, terapeuta ocupacional, enfermaria e um técnico de enfermagem.

O Caps I, que é o infantil, tem nome de Centro de Referência da Infância e Adolescência e atende crianças com transtorno mental, em situação de vulnerabilidade e abuso. “Esse Caps atende uma média de 200 a 250 crianças por mês. Os Caps Inácio Ferreira e Maria Boneca realizam tratamento de transtorno mental e atendem, também, uma média de 250 pessoas por mês”, afirma o diretor de atenção psicossocial, Sérgio Marçal.

Sérgio explica que no Caps ao Dependente de Álcool e Drogas, conhecido como Caps AD, são acolhidos dependentes de drogas como o crack, cocaína, álcool e aqueles dependentes de múltiplas drogas. “Além disso, existem os ambulatórios de saúde mental dentro das UBS, onde existem os psiquiatras para o sistema de consulta. Ali, o paciente é atendido, recebe o medicamento e retorna para dar continuidade ao tratamento em dois meses, dependendo do caso”, ressalta o diretor.

O diretor fez questão de frisar que o Caps realiza internação curta, de até 14 dias no mês, para desintoxicação do paciente. “A proposta da política pública hoje é de um tratamento aberto, porque a internação isola a pessoa do trabalho, da vida social e do vínculo familiar. Ela (a internação) traz uma série de outros problemas psicossociais. Por isso, a nossa proposta é de um tratamento aberto, comunitário, que o indivíduo não perca o seu vínculo e convívio social”, esclarece.

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