
Integrantes do projeto "Triângulo Aéreo" (Foto/Divulgação)
O projeto "Triângulo Aéreo", representado por 23 alunos dos cursos de Engenharias da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), participa, de 2 a 5 de novembro, da 25ª Competição SAE Brasil de AeroDesign, em São José dos Campos (SP). Este ano, mais de 80 equipes da América Latina vão competir com intuito de promover a indústria de mobilidade no Brasil e no mundo.
Coordenado pelo professor Israel Jorge Cárdenas Nuñez, o objetivo principal do "Triângulo Aéreo" é desenvolver, executar (construir) e testar projeto aeronáutico na modalidade de AeroDesign, com os conhecimentos adquiridos na Universidade. Em 2023, o TA participa pela 12ª vez da SAE Brasil, adquirindo espaço no cenário nacional e projetando aeronaves cada vez mais aprimoradas e sofisticadas.
Anualmente, os estudantes envolvidos na competição encaram desafios que refletem as situações reais enfrentadas pela indústria aeronáutica. Isso inclui, por exemplo, a necessidade de realizar otimizações multidisciplinares para atender a requisitos conflitantes, reduzir o peso por meio de otimização estrutural, conduzir instrumentação e ensaios em voo de protótipos, entre outros aspectos.
Para o vice-capitão da equipe, Matheus Martins, entende que o projeto de extensão é importante não apenas para a construção do conhecimento, mas também no aspecto social dos estudantes universitários. "Eu, como vice-capitão, recebo muitos relatos da maioria dos membros de que só se mantiveram na Universidade por conta de terem sido acolhidos no Triângulo Aéreo. E além da questão emocional, há o âmbito científico e tecnológico em torno do projeto. Nós somos estudantes das Engenharias e construímos do zero aeronaves para competir. Estudamos conceitos de aerodinâmica, estabilidade e controle, atuação de cargas, estruturas e aeroelasticidade sem ao menos termos a Engenharia Aeronáutica na nossa universidade. Dessa forma, as pessoas presentes no projeto são aquelas que acreditam no que estudam, acreditam no nosso avião voando e acreditam que o estudo científico vai nos impulsionar cada vez mais", completa.
A melhor colocação do "Triângulo Aéreo" na SAE Brasil foi o 12º lugar, mas a meta agora é chegar entre os 10 melhores da competição. "Mesmo enfrentando dificuldades financeiras em cima da compra dos materiais utilizados, nos desdobramos para conseguirmos construir uma aeronave otimizada e competitiva para a edição deste ano. Os membros anteriores sempre nos olham e comentam acerca do nosso projeto atual: aprimoramos nossos estudos, inovamos em metodologias e materiais novos para a projeção da aeronave e, acima de tudo, fizemos com uma equipe unida e com a idealização de pôr em prática o melhor de nós para levarmos o nome da UFTM para cima. Nossa carta na manga foi compilar o projeto deste ano com feitos de sucesso de anos anteriores. Assim, conseguimos projetar um avião aerodinâmico, estável, leve, resistente e potente. Definitivamente, nosso avião será notado neste ano assim como nos anos anteriores", finaliza o estudante de Engenharia Civil.
A competição é dividida em avaliação de projeto e avaliação de voo, possuindo três categorias: Micro, Regular e Advanced. Elas se distinguem no tamanho dos aviões e na missão a ser desempenhada.
Classe Micro: Aeronaves de tamanho reduzido e motorização elétrica cuja missão, além da etapa de voo com carga, envolve a montagem e desmontagem da mesma, propondo um desafio de portabilidade.
Classe Regular: A principal classe da competição brasileira, com o maior número de equipes. Basicamente, o objetivo desta classe é fazer a aeronave voar com a maior quantidade de carga possível, dadas as restrições impostas pelo regulamento. Essas restrições são principalmente sobre as geometrias das superfícies aerodinâmicas e mudam todos os anos. A motorização pode ser elétrica ou à combustão interna (glow), mas passará a ser obrigatoriamente elétrica em 2023. A PegAzuls atualmente compete nesta classe.
Classe Advanced: Além de levar uma carga, essa classe possui um desafio de reconhecimento (como a leitura de um QR CODE no solo) e de um sistema de aquisição de dados (como horizonte artificial, velocidade, rotação do motor, etc). As restrições são menores com relação à classe Regular, o que dá uma maior liberdade às equipes. Entretanto, o tamanho maior dos aviões, motores mais potentes, utilização de sensores e sistemas embarcados, torna o valor final do projeto bem mais elevado em relação às demais classes, o que exige um orçamento maior das equipes que participam dela. A motorização é elétrica ou à combustão interna.
Os projetos são avaliados por profissionais da indústria aeronáutica que estabelecem pontuações baseadas no regulamento de cada classe, levando em consideração fatores da performance das aeronaves, suas características construtivas e dos relatórios apresentados. As equipes com as melhores pontuações são classificas para a etapa internacional, a SAE AeroDesign East nos Estados Unidos.