Rodovia ficou fechada por mais de duas horas, provocando congestionamento de mais de dois quilômetros nos dois sentidos da via
Foto/Neto Talmeli
Trabalhadores rurais sem terra colocaram fogo em pneus e interditaram a BR-262 em protesto contra o impeachment da presidente Dilma
Manifestantes interditaram a BR-262, em Uberaba, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A ação organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi realizada na manhã de ontem. Os manifestantes ocuparam a rodovia por algumas horas, atearam fogo em pneus e, com faixas e palavras de ordem, diziam que não haverá “golpe”.
O militante do MST Luiz Pedro da Silva diz que a luta do grupo é pela democracia, com distribuição de renda e contra o “golpe”, pois, segundo ele, não existe crime que responsabilize a presidente da República. “Encaramos essa situação como uma força formada pela aristocracia brasileira, em uma retomada clara para privatizar as empresas públicas”, diz. O movimento seguiu orientação nacional e aconteceu em vários municípios do país, e, segundo Luiz Pedro, as ações continuam intensas até o dia 17 de abril, quando está agendada a votação do impeachment na Câmara dos Deputados. “Nosso grupo não vai para Brasília, vamos realizar nossas ações em Uberaba, a fim de evitar este golpe”, destaca o manifestante.
Outra militante do MST que participou da ação foi Maisa Santos. Ela lembra ainda que os manifestantes também lutam a favor das reformas agrária e da Previdência. “Estamos vivendo uma crise política e estão se aproveitando desta situação para cometer um golpe, e, por isso, somos contra”, enfatiza.
Porém, o protesto, apesar de pacífico, gerou a insatisfação de alguns. Devido à interdição da rodovia, inclusive com a queima de pneus, formou-se congestionamento de veículos de cerca de dois quilômetros em cada sentido, e muitos que precisavam seguir caminho reclamaram da situação. O caminhoneiro Murilo Machado estava preocupado com tempo que duraria o manifesto, pois transportava produto perecível [frutas] e temia que se perdessem. “Estou parado desde o início da manifestação”, relata Murilo.
A manifestação teve início às 7h e, por volta de 9h, os manifestantes já haviam se retirado. Porém, segundo o chefe da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal, Jônio Alves Ribeiro, a liberação da pista não foi imediata, pois deixaram os pneus queimados no local e foi preciso esperar que a concessionária fizesse a retirada.
Em Uberlândia, manifestantes fecharam a BR-050, próximo a assentamento.
Na BR-050, manifesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff aconteceu em Uberlândia, no km 78, próximo ao assentamento do campus Glória, que pertence à Universidade Federal de Uberlândia. O protesto começou às 8h e durou cerca de uma hora, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal. Segundo a concessionária MGO, toda a movimentação foi acompanhada por meio do sistema de videomonitoramento. Os manifestantes queimaram alguns pneus para fechar a rodovia e a demora na liberação ocorreu em virtude da limpeza das pistas. A pista no sentido Uberaba-Uberlândia foi a primeira a ser liberada.