Usuário foi atendido e recebeu sutura para ferimento leve e um dia depois constatou-se a gravidade do corte; secretaria diz que abrirá sindicância
Família de paciente atendido na Unidade de Pronto-Atendimento do bairro São Benedito e que morreu no dia 5 de outubro questiona atendimento. O pai de Wagner Soares foi encaminhado à unidade pelo Samu no dia 3 de outubro com uma perfuração no peito. Foi feita a sutura do corte e um exame de raios X, o que não foi suficiente para detectar a perfuração interna no estômago, gerando assim complicações e a morte do paciente. Por isto, a família está indignada e afirma que a falta de equipamentos para exames na UPA impediu que fosse detectado problema ainda mais grave.
“Meu pai chegou à unidade no início da tarde e diagnosticaram apenas um ferimento superficial. Porém, durante toda a tarde estava sentindo fortes dores, chamamos as enfermeiras, mas não resolveu, e insistimos na presença de um médico, que, ao analisá-lo, diagnosticou hemorragia no tórax, causada pelo rompimento de uma artéria. Neste momento surge o primeiro problema. Como não viram que isso estava acontecendo? Apenas fizeram a sutura, como se fosse um corte banal”, explica Wagner.
Diante desta situação, os profissionais tentaram conter a hemorragia durante a noite e no dia seguinte, 4 de outubro, o paciente foi transferido para o Hospital de Clínicas, segundo Wagner, provavelmente pela falta de equipamentos para investigar. No local descobriram a perfuração no estômago, que espalhou alimento pelo corpo, inclusive no tórax, causando problemas graves.
“Os médicos do hospital me disseram que essa perfuração não aconteceu por conta do primeiro corte. Na verdade, pela demora no atendimento, o estômago se moveu e foi perfurado. E diante disso acredito que houve negligência médica, deveriam ter feito exames mais esclarecedores, de forma a detectar toda a situação e agir de forma mais ágil”, explica Wagner, ressaltando que acredita na possibilidade de que o pai não teria falecido se o serviço público de saúde fosse mais eficiente.
Assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informa que uma sindicância será aberta para apurar se houve alguma irregularidade no atendimento. “Pelas informações iniciais, o procedimento médico adotado na ocorrência estava correto, mas tudo será averiguado junto à gerência da UPA e aos médicos que atenderam o paciente”, conclui a nota.