SALVANDO VIDAS

Ser doador de órgãos muda o atendimento em uma emergência?

Médico do HC-UFTM explica que prioridade é salvar o paciente e que doação só entra em discussão após confirmação da morte encefálica

Débora Meira
Publicado em 20/09/2026 às 08:33
Compartilhar
A doação de órgãos envolve uma série de dúvidas que podem influenciar a decisão de uma pessoa e de sua família (Foto/Ilustrativa)

A doação de órgãos envolve uma série de dúvidas que podem influenciar a decisão de uma pessoa e de sua família (Foto/Ilustrativa)

A doação de órgãos envolve uma série de dúvidas que podem influenciar a decisão de uma pessoa e de sua família. Entre elas está o receio de que um paciente que manifestou em vida o desejo de ser doador possa receber um atendimento diferente ao chegar a um hospital em uma emergência. Segundo o médico Ilídio Antunes de Oliveira Junior, coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIH-DOTT) do Hospital de Clínicas da UFTM (HC-UFTM), a prioridade nesses casos é preservar a vida do paciente.   

Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o especialista foi questionado por uma ouvinte se, em caso de acidente ou emergência, os médicos poderiam “desistir mais cedo” de tentar salvar um paciente por ele ser doador de órgãos. “Quando o paciente chega na unidade de emergência, urgência, nós vamos lutar pela vida dele, sem dúvida nenhuma”, afirma.   

Segundo Ilídio, a possibilidade de doação só entra em discussão depois que todas as medidas necessárias para preservar a vida foram realizadas e existe uma suspeita de morte encefálica. O diagnóstico, porém, não é feito de forma imediata.   

O paciente passa por um protocolo específico, com avaliações clínicas e exames complementares. Somente após a confirmação da morte encefálica a equipe pode conversar com a família sobre a possibilidade de doação. “Agora, se tiver um diagnóstico de morte encefálica, evoluir como suspeita e fizer o diagnóstico, nós vamos lutar pela vida”, reforça.   

A manutenção dos batimentos cardíacos pode gerar dúvidas entre familiares. Após a morte encefálica, aparelhos podem manter temporariamente a oxigenação e a circulação do organismo, fazendo com que o coração continue batendo.   

De acordo com Ilídio, porém, isso não significa que exista possibilidade de recuperação quando o diagnóstico de morte encefálica é confirmado dentro do protocolo médico.   

Antes da confirmação, o paciente é considerado vivo e recebe todo o tratamento indicado para tentar reverter o quadro. A possibilidade de doação não interfere nessa etapa.   

Durante a entrevista, o médico também esclareceu outras dúvidas relacionadas ao procedimento. A retirada de órgãos não impede a realização de um velório normal e não deixa o corpo deformado, segundo Ilídio. Após a captação, o corpo é reconstituído para que a família possa realizar o velório.  

A família também não precisa pagar pela doação. Qualquer tentativa de cobrança relacionada ao procedimento deve ser comunicada às autoridades, conforme orientação apresentada pelo especialista. Outro ponto destacado é que a idade, por si só, não impede necessariamente a doação. A possibilidade depende da avaliação médica e das condições dos órgãos e tecidos no momento da captação.   

O Setembro Verde reforça a importância de discutir o tema em vida. No Brasil, mesmo que uma pessoa manifeste o desejo de ser doadora, a autorização da família continua sendo necessária para a retirada dos órgãos e tecidos. 

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por