VIOLÊNCIA NA ESCOLA

Técnica diz que resposta precisa ir além da busca por culpados

Entrevista à Rádio JM destaca fatores sociais, familiares e estruturais ligados aos casos

Débora Meira
Publicado em 25/01/2026 às 14:30
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Muitas crianças reproduzem comportamentos agressivos porque cresceram expostas a contextos de violência em casa ou na comunidade (Foto/Divulgação)

Muitas crianças reproduzem comportamentos agressivos porque cresceram expostas a contextos de violência em casa ou na comunidade (Foto/Divulgação)

Casos de violência envolvendo crianças e adolescentes no ambiente escolar costumam gerar reações imediatas de julgamento e busca por culpados. No entanto, em entrevista para a Rádio JM, a referência técnica em Vigilância das Violências, Raissa Mazeti, destacou que situações desse tipo precisam ser analisadas a partir de um olhar mais amplo, considerando fatores sociais, familiares e estruturais. Segundo ela, mesmo a criança que comete um ato violento frequentemente também é vítima de um ciclo de violências. 

A referência técnica explicou que não é possível atribuir culpa de forma isolada a pais, escola ou profissionais. Conforme Mazeti, muitas crianças reproduzem comportamentos agressivos porque cresceram expostas a contextos de violência em casa ou na comunidade. Nesses casos, o que se manifesta na escola é reflexo de vivências anteriores, e não um comportamento isolado ou espontâneo. 

A especialista ressaltou que, em diversas situações, a responsabilização recai injustamente sobre as mães, que muitas vezes também vivem em contextos de vulnerabilidade, como violência doméstica. Para ela, é preciso compreender que a agressividade infantil pode estar relacionada àquilo que a criança presencia cotidianamente, tornando a violência algo naturalizado em sua realidade. 

Outro ponto destacado foi a relação entre violência escolar e ausência de políticas públicas estruturantes. Segundo Mazeti, a falta de espaços seguros, como escolas em tempo integral, projetos sociais, atividades esportivas e culturais, expõe crianças e adolescentes a ambientes de risco por mais tempo. A especialista defendeu a ampliação de serviços que ofereçam escuta qualificada, acompanhamento psicológico e proteção social, inclusive nas escolas. 

Ainda conforme a referência técnica, crianças identificadas como agressoras podem, na verdade, estar tentando se defender. Ela citou situações em que alunos levam objetos perigosos para a escola após sofrerem ameaças ou bullying, sendo rotulados apenas como autores, quando, na prática, também são vítimas. Para a técnica, o foco deve estar na compreensão da origem do comportamento e na interrupção do ciclo de violência. 

Segundo a especialista, romper esse ciclo é essencial para evitar que crianças violentadas hoje se tornem adultos violentos no futuro. Por isso, a atuação integrada entre família, escola, saúde e assistência social é apontada como fundamental. “Não se trata de punir, mas de entender, cuidar e intervir no momento certo”, reforça. 

Por fim, Mazeti ressalta que compreender a violência no ambiente escolar exige ir além do ato em si. Para ela, a identificação dos sinais, a análise do contexto no qual a criança ou adolescente está inserido e a atuação técnica adequada são determinantes para evitar o agravamento das situações. “Quando a gente olha apenas para o comportamento e não para a origem dele, perde a chance de interromper o ciclo de violência”, afirma. 

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