CIDADE

Túmulos de Chico Xavier e Alfeu são os mais visitados no Finados

Com a ocorrência de chuva logo pela manhã, movimento nos cemitérios se intensificou a partir de 10h

Thassiana Macedo
Publicado em 03/11/2015 às 07:54Atualizado em 16/12/2022 às 21:29
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Foto/Jairo Chagas

Com grande movimento no cemitério São João Batista, o túmulo mais visitado foi o de Chico Xavier, ao fundo

Como esperado, durante esta segunda-feira, quando foi celebrado o Dia de Finados, a movimentação para as homenagens aos que já morreram foi grande nos cemitérios São João Batista, Medalha Milagrosa e Cristo Bom pastor, em Ponte Alta. Durante o fim de semana, muitas pessoas se adiantaram, comparecendo para prestar suas homenagens.

No feriado, a visitação começou cedo, mas a movimentação passou a ser maior apenas por volta de 10h, depois que a chuva do início do dia deu uma trégua e o tempo nublado se manteve, como informou o diretor do Departamento de Cemitérios, Jamir Messias de Freitas. “A chuva atrapalhou um pouco a movimentação, mas, como o tempo melhorou no decorrer do dia, os cemitérios voltaram a ficar bem movimentados, como sempre. Dos túmulos mais visitados no São João Batista, em primeiro lugar está o de Chico Xavier, depois tem o de Alfeu Aparecido de Souza, o taxista falecido na década de 1950, brutalmente assassinado. Hoje, as pessoas acreditam que ele faz milagres. O terceiro é a capela da mãe do Júnior”, avalia Jamir.

Mais de 80 mil pessoas eram esperadas nos três cemitérios para visitar os túmulos de seus entes queridos. Missas foram celebradas nos três cemitérios, sempre exortando o perdão e oração aos amigos e parentes que já partiram. Para o arcebispo dom Paulo Mendes Peixoto, a data suscita a necessidade de uma reflexão sobre a partida, mas principalmente sobre a vida que levamos enquanto vivos. “Que o sentimento não seja simplesmente de perda, mas também de alegria pela oportunidade de termos vivido com essas pessoas por perto. Sob o olhar católico cristão é preciso pensar na ressurreição e que a vida não para aqui na Terra. Dentro da visão de fé é preciso termos a visão de uma espiritualidade profunda de que quem pratica o bem vai receber de Deus a recompensa. E creio que esse dia serve para pensarmos nisso, porque todos nós vamos passar”, reflete.

Diferente de anos anteriores, desta vez a Guarda Municipal e a Polícia Militar não bloquearam o entorno dos cemitérios, por isso os visitantes tiveram liberdade de transitar com os carros bem próximo dos portões.

Chuva não afasta visitantes, que mantêm a tradição

A chuva deixou muita água empoçada nas ruas e também sobre os túmulos, o que dificultou um pouco o trânsito de visitantes dentro dos cemitérios, mas não os afastou. Foi o caso de Edna Silva e João Bosco, moradores do bairro Jardim Triângulo, que foram visitar túmulos de parentes falecidos.

Edna conta que há muitos anos visita regularmente o cemitério São João Batista para levar uma oração amiga a aqueles mortos que não recebem visitas e que, depois que o marido faleceu, esta ação tornou-se um hábito rotineiro. João Bosco já não tem mais a companhia de muitos familiares e no Dia de Finados, além de visitar a sepultura do irmão e do cunhado com Edna, ele foi até Igarapava, onde visitou os túmulos da ex-esposa e dos filhos.

O primeiro túmulo mais visitado é onde está o corpo do médium Chico Xavier. Todos os anos o mausoléu é visitado por milhares de pessoas, espíritas e não espíritas. Para Maria Aparecida Cardoso Borges, do bairro Santa Maria, este é um momento de grande saudade e oração.

Terezinha Rocha, moradora do São Benedito, é espírita e não deixa de visitar o local nesta data. “Ele foi um homem que nos fortaleceu em vida, então, toda vez que venho ao cemitério, acho que ele merece a minha visita”, destaca. Mesmo católica, Selma Maria Leal Rodrigues, do Abadia, acredita que Chico foi um exemplo de vida e de humildade. “O que todos nós deveríamos ser. Sempre que tenho vontade e venho visitar meus familiares, passo por aqui”, ressalta a visitante.

Moradora do Santa Maria, Iramar Maria Tomaz aproveitou o momento de visita a amigos e familiares para também levar flores e fazer a sua oração de agradecimento sobre o túmulo de Alfeu Aparecido de Souza, assassinado em 1957. Para ela, o taxista lhe concedeu várias graças. Uma delas foi alcançada após um pedido feito a Alfeu quando Iramar encontrava-se desempregada e em grande dificuldade.

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