Padre uberabense, que deixou região dois dias antes do primeiro bombardeio, teme que conflito provoque a 3ª Guerra Mundial.
Com uma sensação de alívio, por ter saído da Faixa de Gaza dois dias antes do primeiro bombardeio, e também um sentimento de tristeza, ao constatar humanos massacrando humanos na disputa por uma área, foi desta forma que o padre uberabense Cláudio Dias iniciou a entrevista ao Jornal da Manhã sobre o conflito internacional. O religioso mora atualmente em São Paulo, onde administra a Diocese de Santo Amaro. Aos 41 anos de idade e seis de sacerdócio, acumula diversas experiências internacionais. Em dezembro passado, viajou para Israel acompanhando um grupo de dezesseis brasileiros interessados em conhecer a região. Percorreu Jerusalém, Galileia e Tel Aviv. No Natal, celebrou missa na Palestina com a presença do Presidente Mahmoud Abbas. “Não suspeitei de nada. Não havia aviões, helicópteros ou qualquer aviso de perigo. Tudo foi preparado com muito sigilo”, afirmou padre Cláudio, que deixou Israel em 31 de dezembro seguindo com o grupo de brasileiros para Paris. Só então ficou sabendo do início dos bombardeios. Histórico. O impasse começou no século 19, quando judeus sionistas externaram o desejo de criar um Estado moderno em sua terra ancestral, iniciando pequenos assentamentos na região, que na época era controlada pelo império otomano. Em 1917, a Inglaterra divulga a declaração de Balfour, concedendo direitos políticos aos judeus como nação, que foi entendida por eles como uma promessa para a formação de um Estado judeu nos territórios palestinos. Até aqui esta região era uma colônia britânica. Trinta anos depois, a Organização das Nações Unidas aprova um plano de partilha das terras, ou seja, a criação de Israel e de um Estado palestino. A divisão foi rejeitada por árabes e palestinos, que decidem lutar contra a formação do Estado judaico. Começam as guerras. Em 1949, Israel vence os palestinos e expande fronteiras. Cisjordânia e Jerusalém passam a pertencer à Jordânia e a Faixa de Gaza, ao Egito. A partir de então, vários conflitos armados têm ocorrido entre os dois povos na disputa dos territórios ocupados por Israel. Padre Cláudio Dias diz que é difícil apontar quem tem razão neste conflito. “Se por um lado é desumano o que está se fazendo com a Palestina, por outro também é legítima defesa”, analisa. Ele diz que a região da Palestina é semelhante a um gueto. Há muita pobreza constituindo o lado fraco da história. Hoje, o maior temor do sacerdote é a entrada de outros países na questão. Em seu entender, se o Irã, que detém armas nucleares, se aliar a Israel, pode desencadear a Terceira Guerra Mundial. “Daí a preocupação dos líderes mundiais em intermediar o acordo de cessar-fogo. O que sinceramente desejo é que o mundo celebre a paz”, afirma. Padre Cláudio Dias é homônimo de outro sacerdote salesiano do Sul do país, ora processado por crime de pedofilia. Por esta razão, não mantém nenhum tipo de publicação ou site na internet para discutir estas e outras questões com os católicos. O sacerdote visita Uberaba com frequência para ver os pais, que residem no Fabrício.