Duas macas utilizadas pelas UPAs Mirante e São Benedito, em Uberaba, permaneceram no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) após pacientes serem transferidos para a unidade e acomodados nos próprios equipamentos por falta de leitos disponíveis. A situação foi registrada em boletim de ocorrência nesta quinta-feira (24) e, segundo a Sociedade Educacional Uberabense (SEU), responsável pela gestão das duas UPAs, 37 episódios de retenção de macas já haviam sido registrados no mês de setembro até aquela data. O caso foi apresentado no Programa Hélio Júnior, da Rádio JM.
O boletim foi registrado por um profissional de saúde e relata dois casos ocorridos em transferências realizadas pelas unidades. Em uma delas, um paciente saiu da UPA Mirante com destino ao HC-UFTM. Na chegada ao hospital, a equipe teria sido informada de que não havia leito disponível e que a maca precisaria permanecer na unidade para acomodar o paciente.
Situação semelhante ocorreu em uma segunda transferência, desta vez de um paciente da UPA São Benedito para o HC-UFTM. Conforme o registro policial, a maca também permaneceu no hospital para ser utilizada como leito provisório.
De acordo com o boletim, pelo menos uma das macas ainda estava dentro do HC-UFTM no momento do registro da ocorrência, sendo utilizada por uma paciente diante da ausência de leito disponível. O caso foi formalizado para documentação e encaminhado para conhecimento da Polícia Civil.
A situação ocorre em meio à pressão sobre a rede de saúde de Uberaba. Em entrevista à Rádio JM nesta semana, a secretária municipal de Saúde, Valdilene Rocha, afirmou que o município possui 732 leitos e que parte da demanda vem de pacientes encaminhados de outras cidades da região. Segundo ela, ampliar apenas a estrutura hospitalar de Uberaba não seria suficiente para resolver a pressão sobre a rede.
A SEU informou que, entre os dias 1º e 24 de setembro, foram registrados 37 episódios de retenção de macas após transferências de pacientes para o HC-UFTM. Do total, 16 ocorreram após transferências realizadas pela UPA Mirante e 21 pela UPA São Benedito.
Sobre os dois casos registrados na quinta-feira (24), a entidade informou que a maca da UPA Mirante foi liberada na manhã desta sexta-feira (25). Já a maca reserva da UPA São Benedito permanecia retida.
Segundo a SEU, a situação interfere diretamente na logística das unidades. “A retenção desses equipamentos impacta diretamente a logística assistencial das unidades e a continuidade do cuidado, podendo atrasar a transferência de pacientes já regulados e com vaga autorizada, além do deslocamento de pacientes que necessitam realizar tomografia computadorizada para complementação diagnóstica e continuidade da conduta médica”, informa em nota.
A entidade informou que as UPAs utilizam macas extras como medida de contingência para reduzir os impactos provocados pela retenção dos equipamentos. Segundo a SEU, porém, também existem registros de retenção das próprias macas de reserva.
Em nota, o HC-UFTM informou que mantém contato contínuo com o Complexo Regulador Municipal da Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela regulação dos pacientes encaminhados à instituição.
O hospital reconheceu que, durante períodos de alta demanda, pode ocorrer retenção de macas de ambulâncias na unidade. Segundo o HC-UFTM, os equipamentos são devolvidos aos serviços de origem assim que possível, desde que isso não comprometa o atendimento aos pacientes internados. “Assim que possível, desde que não haja prejuízo à saúde dos pacientes internados, essas macas são devolvidas aos serviços de origem, seguindo o protocolo institucional”, afirma em nota.
A instituição também afirmou que é o único prestador de serviço pelo SUS habilitado em Uberaba para atendimento de vaga zero, modalidade utilizada em situações de urgência e emergência mesmo quando não há leito disponível. O HC-UFTM informou ainda que mantém contato permanente com a Secretaria Municipal de Saúde para discutir melhorias nos processos de trabalho.
Segundo a SEU, a perda temporária das macas pode afetar tanto a transferência de pacientes regulados quanto outros deslocamentos necessários durante o atendimento.
Entre as situações citadas pela entidade estão os transportes de pacientes que precisam realizar tomografia computadorizada para complementar o diagnóstico e definir a continuidade da conduta médica.
Como medida de contingência, as UPAs utilizam macas extras para manter os atendimentos. A SEU afirma, porém, que também há registros de retenção desses equipamentos de reserva. A entidade informou que acompanha os casos e adota medidas operacionais para reduzir os impactos sobre o fluxo de transferências e demais transportes.