A possibilidade de liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas tem gerado preocupação também em Uberaba, especialmente entre representantes do setor da construção civil. Embora a proposta ainda esteja em discussão no governo federal, entidades locais já demonstram cautela quanto aos possíveis impactos da medida.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil de Uberaba (Sinduscon) acompanha o debate e alerta que, apesar de a liberação poder aliviar o orçamento das famílias no curto prazo, o uso dos recursos para consumo imediato pode comprometer investimentos estruturais, como habitação, saneamento e infraestrutura.
Segundo o presidente do Sinduscon Uberaba, Pedro Henrique Araújo Amui, o fundo tem papel estratégico no desenvolvimento social e econômico. “O FGTS é hoje uma fonte essencial de financiamento para habitação de interesse social, saneamento e infraestrutura. Redirecionar esses recursos para consumo imediato pode comprometer a oferta de crédito imobiliário”, afirma.
A preocupação ganha ainda mais relevância no cenário local. Em 2025, Uberaba se destacou como a quarta cidade com maior número de unidades viabilizadas pelo programa habitacional federal, com 2.606 moradias contratadas. A construção civil também figura entre os principais setores geradores de emprego formal no município.
Para Amui, qualquer mudança no uso do fundo pode ter reflexos diretos na economia da cidade. “A redução da liquidez do FGTS ameaça o fôlego desses números e a continuidade de programas habitacionais que atendem grande parcela da população”, destaca.
De acordo com a entidade, uma eventual redução na disponibilidade de recursos pode impactar iniciativas como o Minha Casa, Minha Vida e o Casa Mineira, que contam com parcerias locais, como a Companhia Habitacional do Vale do Rio Grande (Cohagra).
O presidente do sindicato também defende cautela na condução da proposta. “Esperamos que prevaleça uma postura mais protetiva por parte do Conselho Curador do FGTS, com salvaguardas relevantes que limitem distorções no financiamento habitacional”, pontua.
Apesar das ressalvas, ele reconhece a importância de discutir alternativas para o endividamento das famílias. “Avanços que conferem maior autonomia ao cidadão sobre a utilização do seu saldo são bem-vindos, mas é fundamental equilibrar o alívio financeiro imediato com a preservação de políticas públicas estruturantes”, ressalta.
O Sinduscon reforça que o uso indiscriminado do fundo pode agravar o déficit habitacional no futuro e comprometer o desenvolvimento urbano. Criado como uma forma de proteção ao trabalhador, o FGTS também exerce papel estratégico na economia, especialmente no financiamento de moradias populares.