Documentos são comercializados por até R$70 por dia de afastamento e utilizam nomes de médicos e sites falsos para simular autenticidade
Denúncia aponta venda de atestados médicos falsificados em Uberaba, com uso indevido de nomes de profissionais das UPAs e sites falsos para simular a autenticidade dos documentos (Foto/Imagem ilustrativa)
Atestados médicos falsos estariam sendo vendidos em Uberaba com nomes de médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e códigos que simulam a validação dos documentos. A denúncia foi feita pelo diretor administrativo hospitalar da Sociedade Educacional Uberabense (SEU), Frederico Ramos, em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM. Segundo ele, há relatos de cobranças de R$40 por um atestado de sete dias e de até R$70 por dia.
De acordo com Ramos, os documentos apresentam códigos de barras e direcionam para páginas falsas que simulam um sistema de validação. O representante afirmou que a instituição já levou a situação ao conhecimento das autoridades policiais e pretende encaminhar todos os casos recebidos relacionados à venda dos atestados. “Estão falsificando utilizando o nome de médicos das UPAs e está mais sofisticado do que isso. Eles estão colocando um código de barras e tem um site falso que valida o código de barras como se fosse o site do Conselho Federal de Medicina”, relata.
Durante a entrevista, o diretor também mencionou valores cobrados pelos documentos. Segundo ele, houve relato de oferta de atestado por R$40 para sete dias de afastamento, além de cobranças de R$70 por dia.
Ramos alertou, que a compra de um documento falso também pode trazer consequências para quem o utiliza, e não apenas para quem o comercializa. “Às vezes, a pessoa pensa que comprar atestado não é crime. É crime”, afirma.
Segundo o representante da SEU, empresas têm procurado as unidades para confirmar a procedência de atestados apresentados por funcionários. Nesses casos, a instituição informa se a pessoa passou por atendimento ou se o documento foi emitido pela unidade, sem divulgar dados pessoais sensíveis.
A responsável técnica da UPA Mirante, Brunella Chinem, explicou durante a entrevista, que os atestados emitidos pelas unidades contam com assinatura digital e QR Code, que permite verificar a autenticidade do documento.
A orientação apresentada pelos gestores é que os empregadores utilizem os mecanismos de verificação disponíveis e procurem os serviços responsáveis pela saúde ocupacional da empresa quando houver dúvidas sobre a documentação.
A denúncia ocorre em meio às medidas adotadas pelas UPAs de Uberaba para restringir a emissão de atestados sem justificativa clínica. Desde 2025, a gestão das unidades informa que o afastamento do trabalho deve ser indicado conforme a avaliação médica, enquanto os pacientes que comparecem à unidade recebem declaração de comparecimento quando não há indicação para afastamento.
Em entrevista anterior à Rádio JM, em junho deste ano, Frederico Ramos afirmou que a procura por atestados havia diminuído após o reforço dos critérios para emissão dos documentos. Na ocasião, a gestão também relatou situações de pressão sobre profissionais que negavam pedidos sem justificativa clínica.
A Sociedade Educacional Uberabense informou, na entrevista mais recente, que pretende encaminhar às autoridades policiais os casos relacionados à comercialização de documentos falsos.