Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) revela que as vendas de materiais de construção sofreram queda de 5,4% em março, na comparação com o mesmo mês em 2014. Em relação a fevereiro deste ano, houve alta de 3,2%. No acumulado no primeiro trimestre deste ano, o setor apresentou queda de 8,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O acumulado dos últimos 12 meses registra queda de 7,7%.
Segundo vendedores de uma loja especializada em materiais de construção e acabamento, localizada no bairro São Cristóvão, as vendas neste primeiro trimestre de 2015 em Uberaba também estão bem mais baixas do que o esperado, refletindo o que ocorre no restante do país, tanto no segmento imobiliário quanto no setor de obras de infraestrutura. Ou seja, nem mesmo as construtoras que prestam serviço para o programa Minha Casa Minha Vida estão tendo demanda de obras.
Para o administrador Paulo Almeida da Silva Júnior, que vende pelo atacado, na verdade, “as vendas não caíram, mas despencaram por pelo menos a metade”. Ele explica que o motivo do mau momento é principalmente a queda na atividade das construtoras. “O problema deste ano que se iniciou é que não está tendo previsão de serviço. Aqui eu presto muito serviço para as construtoras, mas não está havendo mais procura por orçamentos e as construtoras estão deixando para fazer mais pedidos para o futuro. Está tudo parado mesmo e por isso caiu de um modo geral. Forneço materiais por depósito e caiu para todo tipo de vendas e em todos os depósitos. Não se pode dizer que a culpa é de um porque está vendendo mais caro, pois caiu em todos os depósitos”, afirma.
Paulo Júnior ressalta ainda que a situação negativa começou já no fim de 2014 e impactou também na manutenção de funcionários. “Em novembro de 2014 nós dispensamos três funcionários e continuamos apenas com três. Hoje, o estoque ainda está girando, mas agora estamos tentando vender para fora de Uberaba. Queremos ver se lá fora está melhor, porque aqui está muito devagar. O problema é para todo lado. Está parado, porque não está havendo procura, nem mesmo em longo prazo, como para julho ou agosto. Não temos nenhuma previsão e o que estiver funcionando vai acabar”, alerta.
A expectativa de crescimento da Abramat para o setor em 2015 é 1%, se houver manutenção dos atuais incentivos do governo, como a desoneração da folha de pagamentos, a expansão dos investimentos em concessões e a terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida.