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Verme do coração pode matar cães e acende alerta para tutores em Uberaba

Doença transmitida por mosquitos pode evoluir sem sintomas e provocar danos graves ao coração e aos pulmões

Débora Meira
Publicado em 08/11/2026 às 08:23
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O acúmulo de água parada também contribui para a reprodução dos vetores (Foto/Divulgação)

A dirofilariose, conhecida como verme do coração, também pode ocorrer em Uberaba e região e representa um risco à saúde dos cães, inclusive daqueles que aparentam estar saudáveis. Transmitida pela picada de mosquitos infectados, a doença pode evoluir silenciosamente nos primeiros meses, dificultando a identificação pelos tutores. O alerta é da médica-veterinária Gabriela Gauy, que destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.  

Segundo Gabriela, as condições climáticas da região favorecem a presença dos mosquitos transmissores, especialmente durante os períodos de chuva. “Temos um clima quente durante boa parte do ano, além dos períodos de chuva, que acabam favorecendo a presença e a reprodução dos mosquitos responsáveis pela transmissão da doença”, explica.  

O acúmulo de água parada também contribui para a reprodução dos vetores. Entre as espécies capazes de transmitir o parasita está o Aedes aegypti. A veterinária ressalta, entretanto, que a transmissão depende de um mosquito picar um animal infectado e, posteriormente, outro cão. “Não é uma doença transmitida pelo contato direto de um animal para outro”, esclarece.  

Um dos principais desafios da dirofilariose é a ausência de sintomas nas fases iniciais. De acordo com Gabriela, muitos cães continuam comendo, brincando e mantendo a rotina normalmente, mesmo estando infectados. “No início, muitos cães não apresentam nenhum sintoma, o que acaba dificultando bastante o diagnóstico. O animal continua comendo, brincando e mantendo sua rotina normalmente, sem que o responsável perceba alguma alteração”, afirma.  

Com a evolução da infecção, a tosse persistente pode aparecer entre os primeiros sinais. Também podem ocorrer cansaço com facilidade, dificuldade para respirar, prostração e perda de peso. Nos quadros mais graves, o animal pode apresentar coloração arroxeada na língua e nas gengivas, além de comprometimento respiratório importante.  

A veterinária orienta que os tutores observem mudanças no comportamento e na disposição dos animais. “Um animal que costumava brincar ou fazer caminhadas normalmente começa a se cansar mais rápido ou apresentar episódios de tosse após algum esforço”, exemplifica.  

Segundo ela, muitas vezes, a procura por atendimento acontece somente quando essas alterações ficam perceptíveis, momento em que a doença já pode estar em estágio mais avançado.  

A investigação é feita principalmente por exames de sangue, que permitem pesquisar antígenos do parasita e a presença de microfilárias, formas larvais que podem circular na corrente sanguínea.  

Os exames de imagem também são importantes para avaliar o comprometimento do organismo. No raio-X de tórax, podem ser identificadas alterações nas artérias pulmonares, nos pulmões e, em alguns casos, aumento do lado direito do coração. O ecocardiograma também pode ser solicitado quando existe suspeita de comprometimento cardíaco.  

O tratamento depende da condição de cada paciente e da gravidade da infecção. Existem medicamentos específicos para combater o parasita e, dependendo do quadro, pode ser necessário utilizar outros medicamentos para controlar as complicações.  

A doença pode levar à morte quando evolui para estágios graves, com consequências como hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca e alterações respiratórias. “Quanto mais cedo conseguimos identificar a doença e iniciar o tratamento, melhores são as chances de recuperação”, alerta Gabriela.  

Entre as medidas preventivas, a veterinária recomenda o controle ambiental, principalmente com a eliminação de recipientes e locais que acumulem água parada. O uso de coleiras antiparasitárias com ação repelente contra mosquitos também ajuda a diminuir a exposição dos cães às picadas.  

Outra possibilidade é a utilização de medicamentos específicos para prevenir a dirofilariose. Gabriela ressalta, porém, que nem todos os vermífugos convencionais oferecem essa proteção. “Esses medicamentos atuam nas fases iniciais do parasita, evitando que ele consiga se desenvolver até a fase adulta. Mas nem todo vermífugo convencional tem essa ação”, explica.  

As consultas periódicas também são importantes, inclusive para cães que não apresentam sintomas. Durante os check-ups, alterações no exame físico ou em outros exames podem levantar suspeitas e indicar a necessidade de testes específicos. “É importante que os responsáveis entendam que a ausência de sintomas não significa, necessariamente, que o animal esteja livre da doença”, reforça a veterinária.  

A orientação é manter o acompanhamento profissional e adotar medidas preventivas de forma contínua, já que os cuidados ajudam a reduzir o risco de infecção e permitem identificar possíveis casos antes do aparecimento de complicações mais graves. 

Gabriela Gauy (Foto/Divulgação)

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