ESPORTE

Compra de terreno do Ninho do Urubu foi viabilizada com a negociação de Zico

Foi com parcela da venda de Zico à Udinese por US$ 4 milhões, em 1983, que o terreno foi comprado, em 1984

Folhapress
Publicado em 09/02/2019 às 11:53Atualizado em 17/12/2022 às 18:03
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O Ninho do Urubu liga duas das principais transações da história do Flamengo. Foi com parcela da venda de Zico à Udinese por US$ 4 milhões, em 1983, que o terreno foi comprado, em 1984. E foi lá que surgiu Vinícius Júnior, negociado com o Real Madrid, em 2017, por 45 milhões de euros (R$ 189,65 milhões). A compra do terreno custou 300 milhões de cruzeiros. 

O local ficou vago por duas décadas e só teve seus primeiros dois campos inaugurados em 2004. A campanha "Eu Amo o Fla" arrecadou fundos para a modernização do local, que continuou, porém, com estrutura precária. Os campos eram utilizados pelas categorias de base e ganharam seu primeiro momento de fama em 2006, antes da final da Copa do Brasil. Na ocasião, o técnico Ney Franco comandou treinos secretos, importantes na vitória sobre o rival Vasco.

Aquela equipe tinha o jovem Renato Augusto, de 18 anos, primeiro nome de destaque que surgiu no Ninho. Hoje atleta do Beijing Guoan, da China, o meia, 31, lamentou o incêndio. "Lugar onde meu sonho se tornou realidade hoje interrompeu o sonho de muitos. Triste demais", escreveu o carioca, repetindo gesto de outros ex-jogadores do clube.

"Foi onde morei por muito tempo. Realmente, é difícil de acreditar", disse o atacante Felipe Vizeu, 21, do Grêmio. "A tristeza que essa notícia traz é imensa. Passei 12 anos da minha vida lá", afirmou Lucas Paquetá, 21, do Milan.

Após 2006, o local passou a ser usado esporadicamente pelo time profissional. Foi em 2010, com Vanderlei Luxemburgo, que os treinamentos em Vargem Grande se tornaram hábito. O técnico foi garoto-propaganda de mais uma campanha de arrecadação de fundos para o CT. Mais de 7.000 tijolos foram vendidos, a R$ 250 cada, e foram levantados cerca de R$ 2 milhões. O muro dos tijolinhos, com os nomes dos contribuintes, foi levantado em 2012, porém o CT não perdeu a cara de improvisado.

A verdadeira modernização só começou em 2016, quando foi inaugurado o primeiro módulo profissional, com investimento de R$ 16 milhões. Em novembro de 2018, outro módulo foi inaugurado, com custo de R$ 23 milhões. 

Com a inauguração deste espaço, estava em curso o processo de transferência das categorias de base para o primeiro. Não houve tempo. O Ninho do Urubu ainda pode ser um celeiro de grandes craques, mas ficará para sempre marcado pela tragédia.

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