
Bruno Henrique é acusado de provocar de propósito um cartão amarelo em Flamengo x Santos. (Foto/Daniel Castelo Branco – CRF)
Com informações publicadas no UOL pelo jornalista Pedro Lopes. o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou o julgamento que havia rejeitado um recurso da defesa de Bruno Henrique no processo que envolve o atacante e outros oito acusados.
Com a decisão do ministro Joel Ilan Paciornik, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DFT) terá de analisar novamente um argumento apresentado pelos advogados do jogador relacionado à acusação de estelionato.
A medida não interfere na acusação de fraude ao resultado de partida, que continua sendo discutida no processo.
O ponto que será reavaliado envolve a forma e o prazo em que as casas de apostas manifestaram interesse na apuração do possível estelionato.
Em julho de 2025, a 7ª Vara Criminal de Brasília recebeu a denúncia contra Bruno Henrique e seu irmão, Wander, por fraude esportiva, mas rejeitou inicialmente a acusação de estelionato contra os nove denunciados.
A decisão considerou que as casas de apostas não haviam apresentado uma representação formal dentro do prazo previsto. O Ministério Público recorreu, e o TJ-DFT determinou posteriormente o prosseguimento da denúncia por estelionato.
Para o tribunal, as comunicações realizadas pelas operadoras às autoridades administrativas já demonstravam interesse na investigação dos fatos.
A defesa questionou esse entendimento e argumentou que as primeiras informações sobre as apostas suspeitas foram encaminhadas à IBIA e à Sportradar, entidades privadas de monitoramento, e depois à CBF.
Ainda segundo a matéria, o STJ considerou que o TJ-DFT não respondeu adequadamente a esse ponto levantado pelos advogados e determinou uma nova análise detalhada do recurso.
A defesa sustenta que, dependendo do momento considerado como início do prazo, o período para a representação das vítimas poderia ter terminado antes da formalização da denúncia.
A acusação do Ministério Público do Distrito Federal aponta que Bruno Henrique teria provocado intencionalmente um cartão amarelo contra o Santos, em novembro de 2023.
A denúncia afirma ainda que o jogador teria avisado anteriormente ao irmão, Wander Nunes Pinto Junior, sobre o cartão. Wander teria realizado uma aposta e repassado a informação a pessoas próximas.
Nove pessoas foram denunciadas no caso. Dados levantados pela Polícia Federal apontaram concentração de 98% das apostas no mercado de cartões de Bruno Henrique na Betano e aproximadamente 95% na Galera Bet.
Alertas relacionados às apostas levaram a CBF a abrir um procedimento interno, posteriormente encaminhado à Polícia Federal e ao Ministério Público.