Os acidentes envolvendo motociclistas geraram um custo de R$ 890 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2021 e 2025. O levantamento do Grupo IAG Saúde, feito com base em dados do DataSUS e da Plataforma Valor Saúde, aponta que 72.791 motociclistas precisaram de atendimento hospitalar no período.
O número ganha destaque nesta segunda-feira (27), Dia Nacional do Motociclista. Apesar de representarem cerca de 30% da frota nacional de veículos, os motociclistas concentram 64% das internações causadas por acidentes de trânsito e quase metade das mortes hospitalares decorrentes desses traumas.
Considerando todas as vítimas de acidentes de trânsito atendidas pelo SUS no período, o valor repassado pela rede pública chega a R$ 1,91 bilhão. Já o custo real da assistência, levando em conta estrutura hospitalar, procedimentos e tempo de internação, é estimado em R$ 13,7 bilhões.
Número de internações cresce
Os dados mostram que o problema vem aumentando nos últimos anos. Entre 2015 e 2025, o SUS registrou 1.247.801 internações de motociclistas e 22.984 mortes hospitalares.
No período, o número anual de hospitalizações passou de 89.315 para 153.301, crescimento de 72%.
Para especialistas, os acidentes envolvendo motos deixaram de ser casos isolados e passaram a representar um dos principais desafios de saúde pública, principalmente pelo alto número de internações, uso de UTI e necessidade de reabilitação.
Homens jovens são maioria entre as vítimas
O perfil dos pacientes internados revela que a maior parte das vítimas é formada por homens adultos. Segundo o levantamento, 81,7% dos motociclistas hospitalizados são homens, com idade média de 33,9 anos.
O grupo inclui principalmente trabalhadores em idade produtiva, como entregadores por aplicativo, prestadores de serviço e autônomos.
Os casos variam de ferimentos leves até traumas graves, como fraturas, lesões no tórax, abdômen e traumatismos cranianos, que podem exigir cirurgias e longos períodos de internação.
O estudo aponta ainda que 10,8% dos motociclistas precisaram de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto 10,9% necessitaram de ventilação mecânica. O tempo médio de internação foi de 6,9 dias.
As lesões ortopédicas foram as principais responsáveis pelos atendimentos, com procedimentos relacionados a membros e fraturas representando 59,4% das internações.
Impacto vai além do hospital
Após a alta, muitos pacientes ainda precisam passar por fisioterapia, acompanhamento médico e processos de reabilitação, o que prolonga os impactos financeiros e sociais dos acidentes.
Além dos custos para o sistema de saúde, os acidentes também afetam diretamente a renda das vítimas, principalmente trabalhadores que dependem da motocicleta para exercer suas atividades.
Motociclistas relatam que jornadas extensas, pressão por produtividade e falta de manutenção adequada dos veículos são fatores que aumentam os riscos no dia a dia.
Especialistas reforçam que parte desses acidentes poderia ser evitada com medidas como educação no trânsito, fiscalização, melhores condições de trabalho e prevenção.