GERAL

Acordo entre ICMBio e ONG alemã reintroduzirá ararinha-azul no Brasil

Alvo de caçadores, ave típica da caatinga está em extinção desde 2000

Publicado em 07/06/2019 às 17:23Atualizado em 17/12/2022 às 21:27
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O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a organização não governamental Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), da Alemanha, firmaram nesta sexta-feira (7) um acordo que oficializa a vinda de 50 ararinhas-azuis do país europeu para o Brasil. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) pertence à caatinga e entrou em extinção em outubro de 2000, por ser alvo de caçadores e traficantes de animais.

Essas práticas ilegais, juntamente com a destruição do bioma, fizeram com que, de uma década para outra, restasse somente um exemplar da ave, em 1990. Na década de 1980, expedicionários identificaram três ararinhas-azuis e, em nova busca, 10 anos depois, a última remanescente foi localizada, acendendo o alerta de ambientalistas. De acordo com o ICMBio, existem hoje pelo mundo 163 exemplares da ave. Todos os espécimes vivem fora de seu habitat natural, ou seja, em cativeiro.

A espécie é considerada endêmica da região de Curaçá, interior da Bahia, ou seja, desenvolve-se de forma natural somente naquele território. Para receber os animais, que devem chegar em novembro, o ICMBio está concluindo, em parceria com diversas entidades, a construção de um espaço, no município baiano, e espera que a soltura na natureza ocorra entre 2020 e 2024.

Projeto

Em junho do ano passado, o presidente Michel Temer oficializou a criação da Área e Proteção Ambiental (APA) da Ararinha-Azul, de 90 mil hectares, e o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) da Ararinha-Azul, com cerca de 30 mil hectares, situados em Juazeiro e Curaçá.

De acordo com Camile Lugarini, analista ambiental do ICMBio, os locais têm como função receber os espécimes da ave e promover sua proteção. Outra missão das equipes é difundir à comunidade local atividades que sigam os princípios do desenvolvimento sustentável, como o ecoturismo, para que tenham maior consciência de seu impacto na fauna e na flora que coexistem com ela. "Essas unidades foram criadas há um ano e a gente já tem um engajamento local para a criação de um conselho gestor e de um plano de manejo para as unidades de conservação."

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