Pesquisador de Harvard alerta que atenção e presença emocional de pais e professores são essenciais nos primeiros seis anos de vida
Estresse e falta de apoio para pais, mães e professores diminuem qualidade nas interações com as crianças (Foto/Divulgação)
O desenvolvimento infantil depende fortemente da qualidade das interações com adultos emocionalmente disponíveis. Especialistas apontam que, entre zero e seis anos, o cérebro de uma criança forma até 1 milhão de novas conexões neurais por segundo, tornando essa fase crucial para aprendizado e socialização.
Para o professor Li, da Universidade de Harvard, investimentos públicos deveriam priorizar famílias e educadores para fortalecer vínculos, mais do que infraestrutura física. “Licenças-maternidade e paternidade, bem-estar e formação de professores são essenciais. Nenhum prédio moderno substitui a presença de um adulto realmente envolvido”, afirma.
Li destaca quatro pilares de interação que impactam diretamente o desenvolvimento: conexão, reciprocidade, inclusão e oportunidade de crescimento.
Pesquisadores chamam de “tecnoferência” o impacto de pequenas interrupções digitais, que fragmentam a atenção compartilhada e prejudicam o desenvolvimento cerebral.
O problema, segundo especialistas, não é apenas o uso do celular, mas o esgotamento dos adultos. Pais e professores estressados recorrem a telas como alívio rápido, mas isso prejudica a criança. Investimentos que reduzam sobrecarga — como cuidados de saúde, proteção social e condições adequadas de trabalho — fortalecem a presença emocional.
No contexto brasileiro, a professora Juliana Prates, da Universidade Federal da Bahia, reforça que políticas públicas devem colocar a primeira infância no centro, garantindo licenças, número adequado de educadores, cidades acessíveis e medidas de proteção social. “Cuidar das crianças implica cuidar de quem cuida delas”, afirma.
Segundo Li, nada substitui um adulto emocionalmente presente: apoiar quem cuida é garantir que o “jogo de tênis” do desenvolvimento infantil — em que um saca e o outro recebe — continue acontecendo.