PRESENÇA FANTASMA

Adultos distraídos com celulares podem comprometer desenvolvimento infantil

Pesquisador de Harvard alerta que atenção e presença emocional de pais e professores são essenciais nos primeiros seis anos de vida

Publicado em 31/03/2026 às 11:06
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Estresse e falta de apoio para pais, mães e professores diminuem qualidade nas interações com as crianças (Foto/Divulgação)

O desenvolvimento infantil depende fortemente da qualidade das interações com adultos emocionalmente disponíveis. Especialistas apontam que, entre zero e seis anos, o cérebro de uma criança forma até 1 milhão de novas conexões neurais por segundo, tornando essa fase crucial para aprendizado e socialização.

Para o professor Li, da Universidade de Harvard, investimentos públicos deveriam priorizar famílias e educadores para fortalecer vínculos, mais do que infraestrutura física. “Licenças-maternidade e paternidade, bem-estar e formação de professores são essenciais. Nenhum prédio moderno substitui a presença de um adulto realmente envolvido”, afirma.

Li destaca quatro pilares de interação que impactam diretamente o desenvolvimento: conexão, reciprocidade, inclusão e oportunidade de crescimento.

  • Conexão: Sintonização entre adulto e criança, com ciclos naturais de ruptura e reparo. A presença distraída pelo celular prejudica o reconhecimento emocional, como quando um pai olha o desenho do filho sem tirar os olhos do aparelho.
  • Reciprocidade: Troca equilibrada de papéis. Quando professores interrompem atividades para checar mensagens, crianças podem perder engajamento ou desistir da tarefa.
  • Inclusão: Atenção especial aos que participam menos, como crianças tímidas. Dar um celular em vez de integrar a criança ao grupo reduz a interação social.
  • Oportunidade de Crescimento: Oferecer suporte adequado a desafios, sem resolver a tarefa pelo aluno. Adultos distraídos podem tirar a chance de aprendizado autônomo.

Pesquisadores chamam de “tecnoferência” o impacto de pequenas interrupções digitais, que fragmentam a atenção compartilhada e prejudicam o desenvolvimento cerebral.

O problema, segundo especialistas, não é apenas o uso do celular, mas o esgotamento dos adultos. Pais e professores estressados recorrem a telas como alívio rápido, mas isso prejudica a criança. Investimentos que reduzam sobrecarga — como cuidados de saúde, proteção social e condições adequadas de trabalho — fortalecem a presença emocional.

No contexto brasileiro, a professora Juliana Prates, da Universidade Federal da Bahia, reforça que políticas públicas devem colocar a primeira infância no centro, garantindo licenças, número adequado de educadores, cidades acessíveis e medidas de proteção social. “Cuidar das crianças implica cuidar de quem cuida delas”, afirma.

Segundo Li, nada substitui um adulto emocionalmente presente: apoiar quem cuida é garantir que o “jogo de tênis” do desenvolvimento infantil — em que um saca e o outro recebe — continue acontecendo.

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