Advogado Daniel Santiago, que atuou na defesa de Elza dos Passos Silva, coloca o despacho do juiz Timóteo Yagura como extremamente técnico. De acordo com ele, o magistrado deixou claro que a competência de informar sobre o falecimento da cliente dele era do Município, visto que faz todo o controle dos sepultamentos realizados na cidade. “Não dá para enterrar um cidadão no fundo de casa. É crime. Por isso, existe toda esta estratégia organizacional”, informa. Daniel Santiago acredita que houve grande falha por parte do município pois conforme avalia, o mesmo fez vistas grossas ao não levar para os autos do processo a informação de que a mulher havia falecido. Além disso, o advogado coloca todo o caso como uma ação premeditada com objetivo de se criar “cortina de fumaça”. Para ele, a intenção era criar uma história de que existe uma máfia onde o dinheiro público destinado à compra de medicamentos de mandados judiciais estaria sendo desviado. “Mas, na verdade, o serviço público é que não funciona e as pessoas são obrigadas a recorrer ao Judiciário”, afirma. O advogado diz ter sido massacrado após a polêmica decisão judicial onde foi determinado o fornecimento do medicamento à sua cliente após o falecimento. Por isso, ele pretende ingressar com ação judicial por danos morais contra o Município. E caso seja indenizado, ele irá reverter o valor para ser aplicado na Saúde. “Eu não quero dinheiro e sim, a reparação do dano. Uma retratação”, coloca. Daniel Santiago também garante que em nenhum momento, ao longo da tramitação, o processo judicial gerou multa à parte. E a postura é a mesma em todas as ações judiciais que trabalha. Conforme esclarece, a multa é apenas uma medida de forçar o cumprimento da decisão judicial. “Não é rendimento de advogado”, completa. O profissional diz ter sido o único, em todo o episódio, prejudicado. Segundo o profissional, existem processos semelhantes ajuizados por outros advogados além daqueles feitos através do Ministério Público e pela Defensoria Pública.