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Ainda não estabeleceu metas? Veja como planejar 2021 sem prejudicar a saúde mental

Publicado em 31/12/2020 às 11:02Atualizado em 19/12/2022 às 05:24
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A saúde mental da população foi colocada à prova no ano de 2020. O isolamento social trouxe consigo algumas reflexões sobre a interação dos indivíduos entre si, e como as relações com o outro podem afetar a saúde em todos os aspectos, para além da pandemia. Pensando nessa questão, especialistas orientam sobre alguns cuidados que devem ser adotados em 2021, para que todos possam trabalhar com um desenvolvimento psicológico saudável, seguindo toda uma rotina de autocuidado durante o estabelecimento dos seus objetivos. 

Pensando nos aspectos relacionados às metas estabelecidas para o próximo ano, a psicóloga Mônica Silveira (CRP 92.287) – integrante do Sistema Hapvida/ RN Saúde – destaca a importância das crenças pessoais para a realização das próprias propostas. “A gente tende a dar justificativas para as leis que a gente cria, para comprovar a minha própria teoria eu vou fazer coisas de autossabotagem. Na psicologia a gente chama de ‘profecia que se autorrealiza’. Se eu tenho a tendência de focar no que não saiu como eu queria, quando olho para um passado que foi desafiador, aquilo pode comprometer minha visão de futuro”.

“Pessoas assim podem antecipar cenários ruins e talvez não serem tão generosas consigo mesmas com relação às metas estabelecidas. Nem generosas nem tão ambiciosas. Se a gente parar pra pensar, em termos psíquicos é muito complexo, porque ele é como uma rede, as coisas se interligam, então uma crença sobre o funcionamento de algo acaba repercutindo em todo o meu panorama mental, e influenciando todos os meus pensamentos, sentimentos e ações”, complementa a especialista.

Ainda sobre os planos para 2021, a psicóloga destaca a importância de se criar objetivos que estão dentro do controle de cada um. Para evitar frustrações, é preciso focar naquilo que se pode fazer e que depende, exclusivamente, da força de vontade e resiliência de quem planejou. Para explicar essa teoria, Silveira apresenta um exemplo de meta em que o resultado não necessariamente é a atividade final. “Então, por exemplo, eu tenho um sonho de fazer uma viagem à Itália, qual deve ser a meta? São as ações que devo fazer para ter o dinheiro, a passagem, conhecimento da língua, enfim, tudo relacionado ao meu desejo. Então a meta é aquilo que eu faço para chegar lá. Chegar lá não é a meta porque não depende só de mim, depende do voo, de uma vacina e outras questões”.

A pandemia também é um acontecimento que atinge os planos pessoais, adiando, inclusive, algumas metas. Para evitar maiores danos à saúde mental, a psicóloga explica alguns pontos que devem ser priorizados neste momento. “Mais importante do que voltar à normalidade é ir se apropriando das próprias conquistas. Essa questão de apropriação dos desafios superados, sem comparar com quem está ao redor, é fundamental, porque aí vamos crescendo e aumentando o nosso comprometimento com a nova realidade, novas ações e vivência dentro desse contexto com mais estrutura e segurança”.

Finalizando suas dicas, Silveira aponta alguns caminhos para o novo ano, que podem torná-lo ainda mais enriquecedor. “Deixe o novo entrar, é melhor estarmos receptivos, porque ele vai vir de qualquer jeito, do que adotarmos uma postura combativa. Vamos ser generosos. Nas horas de dificuldade, a gente descobre que somos muito mais fortes do que imaginamos. Vir de um ano desafiador pode ser a maior oportunidade das nossas vidas para recomeçar de um jeito diferente, de um jeito que faça mais sentido com as coisas que realmente têm valor. O ser humano é um ser que se faz e constrói ao longo do tempo, e tudo que a gente viveu faz parte de quem eu sou agora. Nós podemos aproveitar para construir um ano cheio de sentido”.

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