Aeronaves começam a operar nesta segunda-feira (12) em regiões como Manaus, Itacoatiara e Parintins; 36 municípios estão em situação de emergência devido aos incêndios florestais

(Foto/Divulgação Embraer)
A Força Aérea Brasileira (FAB) enviará dois aviões KC-390 Millennium para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. As aeronaves devem iniciar as operações nesta segunda-feira (12), com atuação em regiões como Manaus, Itacoatiara e Parintins. Cada avião utilizará um sistema capaz de lançar até 12 mil litros de água por descarga.
A mobilização ocorre em meio à piora da qualidade do ar na capital amazonense e à decretação de situação de emergência em 36 municípios do estado.
Segundo a FAB, as aeronaves pertencem aos esquadrões Zeus, da Base Aérea de Anápolis (GO), e Gordo, da Base Aérea do Galeão (RJ). O sistema utilizado permite maior precisão no lançamento de água, aumentando a eficácia das operações. Em solo, o reservatório responsável pelo reabastecimento tem capacidade para 22 mil litros.
O modelo KC-390 Millennium já foi empregado em missões de assistência humanitária ao Líbano, transporte de materiais durante o enfrentamento à Covid-19 e repatriação de brasileiros e estrangeiros refugiados do conflito na Ucrânia.
Força-tarefa reúne bombeiros e aeronaves
O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo também integrará a força-tarefa enviada ao Amazonas. A equipe contará com 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que outras seis aeronaves — quatro aviões e dois helicópteros — também foram mobilizadas para atuar na região. Além disso, 290 brigadistas federais estão no estado.
Entre 1º de junho e 9 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 3.462 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. A corporação afirma ter atuado no combate a 20.875 focos, sendo 4.296 em Manaus e 16.579 no interior.
Manaus registra qualidade péssima do ar
Neste domingo (11), Manaus amanheceu novamente coberta por fumaça. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou qualidade péssima do ar em diversos pontos de monitoramento da capital.
Em um dos locais monitorados, a concentração de material particulado chegou a 216,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³). A substância está presente na fumaça e pode prejudicar a saúde. Segundo os dados citados, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração atinge até 25 µg/m³.
No sábado (10), o governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 municípios por causa dos incêndios florestais. A medida foi reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que destacou que o reconhecimento é uma etapa necessária para a liberação de recursos federais destinados ao enfrentamento da crise.
Governo federal informa recursos para o estado
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional afirmou que disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas desde 2024 para equipar o Corpo de Bombeiros no combate aos incêndios. Desse total, o estado utilizou R$ 34,7 milhões. Segundo a pasta, outros R$ 10 milhões continuam disponíveis.
O ministério também informou que o Amazonas recebeu, desde 2023, R$ 372 milhões para ações de socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais após desastres.
Estado afirma ter ampliado estrutura de combate
O governo do Amazonas declarou ter ampliado a presença do Corpo de Bombeiros no interior, passando de 11 para 25 municípios com bases entre 2025 e 2026.
Segundo a administração estadual, o efetivo da corporação aumentou de 692 militares, em 2019, para 1.651 em 2026. O estado também informou a incorporação de 20 novas viaturas e 453 equipamentos multimissão, além da contratação de 153 brigadistas florestais.
O governo acrescentou que, entre abril e julho de 2026, encaminhou 33 ofícios a ministérios federais para comunicar o cenário climático e solicitar apoio em medidas de prevenção, monitoramento, assistência à população e combate aos incêndios florestais.
De acordo com a administração estadual, as solicitações buscam ampliar a cooperação entre os governos estadual e federal, considerando as dificuldades geográficas e logísticas do Amazonas e a necessidade de reduzir os impactos dos eventos climáticos nos municípios mais afetados.