Para presentear as crianças no dia 12 de outubro será preciso preparar o bolso e pesquisar muito bem antes de escolher o que comprar. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), entre os itens mais procurados, o videogame aparece com 72,18% de carga tributária, o tênis importado com 58,59% e os binóculos com 51,71%.
O instituto mostra ainda que tributos como PIS/Cofins, ICMS, IPI e Imposto sobre Importação fazem parte da lista de desejos das crianças, como é o caso dos patins (52,78%); da bicicleta (45,93%) e das roupas (34,67%). Em 2015, a expectativa do setor é atingir o patamar de vendas do ano passado.
Para Vera Lúcia Alvarenga, proprietária de uma loja de brinquedos em Uberaba, mesmo comprando produtos fabricados no Brasil, o consumidor não está livre de pagar pelo aumento do dólar ou o tributo por importação, visto que mesmo os brinquedos nacionais possuem peças importadas. “As fábricas brasileiras importam todo o núcleo dos brinquedos. Então, quase todas as lojas, mesmo as de bairro, que atuam com as principais marcas nacionais, acabam trabalhando com importados. Por isso, com o dólar alto, os preços vêm mudando constantemente, sendo que houve brinquedos que subiram entre 50% e 60%”, afirma.
Vera Lúcia lembra, ainda, que a tributação vem subindo nos últimos dois anos, impedindo os empresários de absorver mais antes de repassar o reajuste de preço ao consumidor. “Para quase todo brinquedo que chega, já estamos com o imposto pago em 35% sobre o valor da nota e tem uns que chegam a 45%. Ou seja, toda nota fiscal que recebemos, o preço do brinquedo já vem onerado pelos impostos, os quais pagamos antecipado. E não tem como não repassar. No final, quem paga é o consumidor, mas não tem outra maneira, porque senão não tem jeito de trabalhar”, explica.
Vale lembrar que o contribuinte estará pagando tributos até mesmo ao optar por ir ao cinema. Ainda conforme levantamento do IBPT, neste caso, 30,25% do valor do ingresso para uma sessão será destinado ao governo na forma de tributos. A tributação elevada e as recentes altas da moeda americana poderão impactar nos preços, mas não devem afastar consumidores. É no que acredita Vera Lúcia. A empresária aposta que o diferencial para atrair a clientela este ano será oferecer um bom atendimento, igualar aos preços das grandes redes e melhorar as condições de compra com um parcelamento um pouco maior.