Estimativa divulgada pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) indicou que as escolas particulares podem perder de 10% a 12% das matrículas em 2016. O motivo, mais uma vez, é a crise econômica que aflige todo o país e dificulta o pagamento das mensalidades escolares para pais e responsáveis.
A secretária municipal de Educação, Silvana Elias, acredita que a migração colabora para maior eficiência da escola pública. “Do ponto de vista sócio pedagógico, colabora porque o estudante sai de uma escola particular para uma pública e contribui para a progresso daquela escola. Do ponto de vista econômico, a tendência das famílias é migrar para o ensino público, até porque nós temos várias ferramentas que estimulam isso, como as cotas nas universidades para alunos que saem das escolas públicas”, afirmou.
Ao mesmo tempo, a superintendente regional de Ensino, Marilda Ribeiro, considera que a rede pública esteja sim preparada para acolher esses novos alunos. “Nosso objetivo é acolher esses alunos como também trazer de volta aqueles que se evadiram das escolas. Queremos buscar aqueles que não têm oportunidade de estudo e que estão fora da escola”, ressaltou.
A Serasa Experian divulgou que a inadimplência dos alunos de instituições particulares de ensino fundamental, médio e superior no país aumentou 22,6% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período no ano passado. Segundo a Agência Brasil, essa foi a maior alta em um primeiro semestre desde 2012.
Educação equiparada. Segundo as representantes de ensino, os alunos que sofrerem a migração da rede particular para a pública não irão sentir diferença no ensino. “O aluno não vai estranhar porque as nossas salas não são superlotadas e o nosso material didático também é de qualidade. Na rede pública, o aluno vai usar o mesmo livro que utilizava na privada. Assumimos 22 livros didáticos do MEC que são usados nas maiores escolas de Uberaba”, destacou Silvana Elias.
Ainda, a secretária de educação afirma compreender as condições de trabalho da escola particular e acredita estar caminhando para uma escola pública cada vez mais exigente e adequada. “Esse movimento faz parte da dinâmica de universalização do acesso à educação de qualidade”, pontuou.
Já Marilda faz questão de ressaltar que a política atual do governo do estado é de oportunizar a entrada do aluno de todas as classes sociais, já que o ensino é público. “Além disso, os profissionais da educação da rede pública têm cada vez mais empenho, dando a eles (alunos), a qualidade de ensino merecida”, pondera a superintendente.
Evasão nas escolas. Marilda Ribeiro faz um apelo à comunidade no que tange à saída de estudantes entre 15 e 17 anos das escolas. “Chamamos à sociedade para que fique atenta se souberem ou conhecerem alunos que estão de fora de sala, que os sensibilizem para o retorno, porque nossas escolas estão abertas para recebê-los. Pretendemos inserir o maior número possível de alunos que se evadiram”, finaliza a superintendente regional de Ensino.