A problematização do cenário político chega a ser tanta que há quem desistiu de passar as festas com os familiares para evitar discussões
O que você leva em consideração para decidir onde e como passará a virada do ano? Para especialistas, o cenário de polarização em que se encontra o Brasil aparece, em 2019, como um dos fatores que influenciam tal decisão.
Pesquisa recente divulgada pelo DataFolha com base em comportamentos nas redes sociais apontou que 51% dos entrevistados já desistiram de fazer algum comentário político na internet para evitar brigas com familiares e amigos. O mesmo quantitativo já deixou de fazer algum comentário político na internet para evitar discussões. Além disso, 27% saíram de algum grupo para não entrar em uma discussão política e 19% deixaram de seguir alguém por não concordar com suas opiniões políticas.
Para a psicóloga Priscila Brito, o resultado do estudo vai além das plataformas digitais e tem impactado o comportamento nas festas de confraternização neste final de ano. A especialista em família e relacionamentos avalia que o ambiente de divisão, nítido nas redes sociais, impacta de diversas formas o psicológico coletivo.
“Mesmo quem não participa da política é afetado por isso. Porque além de ideias políticas as pessoas têm suas convicções que esbarram em questões políticas. Então, a gente volta para a máxima do respeito e temos que sair do virtual”, analisa Brito.
A problematização do cenário político chega a ser tanta que há quem desistiu de passar as festas com os familiares para evitar discussões porque além das análises mirando o Governo Federal e Estadual, as eleições municipais do ano que vem já vêm à tona. Àqueles que optaram por deixar as discussões ideológicas de lado e confraternizar com os familiares, a psicóloga orienta.
“Não existe uma fórmula mágica, mas o básico é ser honesto com você. Se não está pronto para isso, não vá, mas tem que estar pronto para as consequências. Não tem que carregar culpa e nem entrar na pilha, tudo passa por aceitação e respeito”, afirma Brito.
A profissional destaca que colocar em prática valores como respeito, aceitação, também resolvem.