Vivaxin é voltada ao combate ao Plasmodium vivax, espécie para a qual ainda não existe vacina disponível no mundo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina brasileira contra a malária desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.
O imunizante é desenvolvido especificamente contra o Plasmodium vivax, espécie do parasita responsável pela maior parte dos casos de malária no Brasil. Atualmente, não há vacina disponível no mundo voltada para essa espécie. As vacinas contra a malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são direcionadas ao Plasmodium falciparum.
A autorização foi formalizada pela Resolução-RE nº 3.956, de 6 de outubro de 2026, que aprovou os processos relacionados ao desenvolvimento clínico e à pesquisa em humanos da Vivaxin.
A primeira etapa será um estudo clínico de fase 1, que vai avaliar principalmente a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica.
O estudo prevê a participação de 48 voluntários saudáveis, entre 18 e 59 anos, que não tenham tido malária anteriormente. Os participantes serão divididos em grupos que receberão diferentes dosagens da Vivaxin ou placebo.
O protocolo prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas. O acompanhamento deverá durar 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento dos voluntários. O estudo será realizado no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
Os resultados dessa primeira fase ainda não vão determinar se a vacina protege contra a doença. Eles serão utilizados para orientar as etapas seguintes do desenvolvimento, nas quais a eficácia e a capacidade de proteção deverão ser avaliadas.
O Plasmodium vivax é responsável por uma parcela significativa dos casos de malária no mundo. Segundo dados do Relatório Mundial da Malária 2025, da OMS, foram estimados cerca de 9,9 milhões de casos de malária por P. vivax em 2024. Nas Américas, a espécie correspondeu a 63,1% dos casos estimados.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. Febre, calafrios e dor de cabeça estão entre os sintomas mais comuns.
Uma das dificuldades no combate ao P. vivax é que o parasita pode permanecer em estado dormente no fígado e voltar a provocar episódios da doença posteriormente. Essa característica pode levar a recaídas mesmo sem uma nova picada infectante.
Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária contraídos no território nacional. Mais de 99% dos casos autóctones se concentram na região amazônica.
O país mantém um Plano Nacional de Eliminação da Malária, com a meta de interromper a transmissão local da doença até 2035.
Caso a Vivaxin demonstre segurança e eficácia ao longo das próximas etapas de desenvolvimento, o imunizante poderá futuramente se tornar mais uma ferramenta no combate à doença, ao lado de medidas como controle do mosquito, diagnóstico e tratamento.