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Uma funcionária de uma loja de bijuterias de Muriaé (MG) será indenizada após passar por diversas situações humilhantes e agressões morais. Vítima de gordofobia, para receber parte do salário, a profissional precisava subir na balança e mostrar ao chefe que havia perdido peso. A funcionária trabalhou na empresa entre janeiro de 2019 e junho deste ano.
A 1ª Vara do Trabalho de Muriaé condenou o estabelecimento a pagar indenização no valor de R$ 50 mil por danos morais à ex-funcionária. A funcionária, 26 anos, se pronunciar por meio da advogada, Grazielle Berizonzi. Em entrevista ao Estado de Minas, a defensora contou que, para receber uma complementação salarial no valor de R$ 200, sua cliente era obrigada a cumprir metas de emagrecimento estipuladas pelo patrão, que chegavam a cinco quilos por mês.
“Para atingir as tais metas, ela ficava sem comer e até vomitava algumas refeições. A proximidade da data de pagamento passou a gerar pânico, virou uma tortura. Durante o período em que trabalhou na loja, D. chegou a emagrecer, mas não foi um emagrecimento saudável. O custo à saúde mental foi muito grande”, relata a Berizonzi.
Além de toda a situação, a vítima ainda era ainda pressionada por meio de bilhetes:
“A situação chegou nesse ponto de degradaçã uma funcionária foi obrigada a compartilhar com seu chefe informações íntimas, referentes ao seu ciclo menstrual, para justificar por que não atingiu o peso que ele esperava - e, assim, conseguir receber o dinheiro que lhe era devido”, observa a advogada Grazielle Berizonzi.
Em sua decisão, o juiz Marcelo Paes Menezes reconhece que a trabalhadora foi vítima de assédio moral e acrescenta: “Tenho que a autora foi submetida à violência psicológica extrema, de forma habitual por um período prolongado com a finalidade de desestabilizá-la emocional e profissionalmente. A ação da ré (a loja) colocava em xeque o amor próprio da obreira, ao repugnar seu próprio corpo para atender ao padrão estético do sócio da empresa”.