A missão Artemis II atinge um dos momentos mais críticos nesta sexta-feira (10), com o retorno da nave Orion à Terra. A cápsula, batizada pela tripulação como Integrity, deve atravessar a atmosfera terrestre e amerissar com os astronautas em segurança no oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia, às 21h07 (horário de Brasília).
O processo de reentrada é considerado uma das etapas mais desafiadoras da missão. Cerca de 42 minutos antes do pouso no mar, a Orion se separa do módulo de serviço, que será destruído ao entrar na atmosfera. A partir desse ponto, propulsores ajustam a orientação da cápsula a aproximadamente 120 km da superfície terrestre.
Durante a entrada na atmosfera, a nave atinge cerca de 40 mil km/h. Nesse momento, os astronautas são submetidos a forças extremas, chegando a sentir até 3,9 vezes o peso corporal da gravidade terrestre, podendo atingir até 7 ou 7,5 vezes em situações de contingência.
Um dos principais elementos de proteção é o escudo térmico da Orion, responsável por suportar temperaturas superiores a 2.700°C durante a reentrada. O material utilizado, chamado Avcoat, carboniza para dissipar o calor, tecnologia também empregada nas missões Apollo.
Após problemas identificados no escudo da missão Artemis I, em 2022, a agência responsável ajustou a trajetória de entrada da cápsula para reduzir o desgaste térmico durante o retorno.
Durante aproximadamente seis minutos, a comunicação com a nave é interrompida, período considerado crítico no processo de reentrada.
Quando a Orion atinge cerca de 6 km de altitude, são acionados 11 paraquedas, reduzindo a velocidade para aproximadamente 321 km/h. Pouco antes do pouso, a cerca de 2 km da superfície, os três paraquedas principais são abertos, garantindo um pouso controlado no mar, a cerca de 90 km da costa californiana.
Após a amerissagem, equipes da agência espacial e das Forças Armadas dos Estados Unidos iniciam o resgate. Mergulhadores verificam a segurança da cápsula antes da abertura da escotilha. Em seguida, médicos avaliam os astronautas ainda dentro da nave.
A ordem de retirada prevê primeiro a avaliação médica dos tripulantes, seguida da saída para uma plataforma inflável. Depois, eles são transportados por helicóptero até um navio, onde passam por novos exames de saúde.
Na sequência, a cápsula Orion é preparada para ser rebocada até um navio e posteriormente enviada ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, encerrando oficialmente a missão Artemis II, iniciada em 1º de abril e considerada a primeira missão tripulada à Lua deste século.