
(Foto/Divulgação)
A convergência entre a oportunidade física e o estelionato digital encontrou um novo cenário de operação: as oficinas mecânicas. O que antes se restringia ao ambiente virtual agora utiliza a vulnerabilidade de pátios automotivos para estruturar esquemas de extorsão baseados em dados reais, transformando o balcão de serviços em um campo de coleta de informações para criminosos.
O modus operandi revela um método de infiltração simples, porém eficaz. Agentes criminosos acessam as dependências de oficinas para catalogar modelos de veículos e registrar placas. Munidos desses dados, os golpistas estabelecem contato com o estabelecimento simulando ser o proprietário do automóvel para obter a ordem de serviço, documento que detém o prontuário de dados pessoais do cliente. A etapa final consiste na personificação da própria oficina: utilizando a identidade visual da empresa em aplicativos de mensagens, os criminosos solicitam transferências via Pix sob a justificativa de aquisição imediata de peças, vinculando o pagamento à viabilidade do prazo de entrega.
O coordenador do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Marcelo Barbosa, vivenciou a tentativa de fraude e destaca a importância da análise crítica do consumidor. Segundo ele, o distanciamento dos protocolos habituais de cobrança da empresa e a divergência nos números de contato são os primeiros sinais de alerta. A sofisticação do golpe reside na triangulação de informações, em que tanto o cliente quanto o fornecedor tornam-se vítimas da exposição de dados. Para o especialista, a facilidade de acesso visual aos veículos em manutenção descarta, em primeira análise, a conivência interna, mas reforça a necessidade de as oficinas reverem a segurança de seus registros e processos de atendimento remoto.
Fonte:O Tempo