Das dezoito testemunhas, apenas quatro prestaram depoimento, entre elas, a filha do réu, pela acusação, e dois irmãos e cunhada, pela defesa
Homem que matou a mulher e as duas cunhadas foi condenado a 56 anos de prisão. O julgamento, que durou cerca de dez horas, foi realizado ontem no Fórum Melo Viana. Edson Fernandes foi submetido a júri popular pelo homicídio duplamente qualificado praticado contra a esposa, Jane Luce Paiva de Ávila, e as cunhadas Dilza Maria de Paiva e Luzia Maria de Paiva com golpes de podão.
O crime, que chocou a comunidade uberabense, ocorreu no dia 8 de agosto de 2011 na residência do réu, no bairro Boa Vista. As vítimas foram atingidas com golpes de podão. A maior parte dos ferimentos foi na cabeça, pescoço e tórax. As vítimas ainda apresentavam ferimentos de defesa nos braços e mãos. Apenas a sogra dele, de 89 anos, portadora do mal de Alzheimer, que morava na casa, escapou com vida porque estava trancada em um quarto. As três foram encontradas pela filha de Jane Lúcia e outras duas pessoas da família. Os vizinhos disseram que não escutaram nenhum grito. Durante buscas no interior da casa, os policiais apreenderam um rifle e munições que estavam em cima de um guarda-roupa.
Considerado desde o início como principal suspeito, Edson Fernandes se apresentou dois dias depois do crime e utilizou o direito de se manter calado. Como estava com prisão temporária já decretada pela Justiça, ele acabou sendo levado à prisão, onde se encontra deste então. Ao depor ontem, Edson confessou a autoria do crime, afirmando que os assassinatos teriam sido motivados por uma discussão com as vítimas durante um café. Das dezoito testemunhas, apenas quatro prestaram depoimento, entre elas, a filha do réu, pela acusação, e dois irmãos e cunhada, pela defesa.
Os advogados de defesa, Leuces Teixeira e Isadora Queiroz Cosci, utilizaram como tese a semi-imputabilidade do réu, cujo laudo foi realizado por médicos do hospital psiquiátrico de Barbacena (MG), homologado pela Justiça. Além disso, houve o argumento de que o crime foi resultado da combinação de medicamentos psicotrópicos com bebida alcoólica. Os advogados também defenderam, durante todo o julgamento, o tratamento psiquiátrico para o acusado.
A acusação feita pelo promotor Raphael Soares Moreira César Borba colocou o crime como um dos mais bárbaros ocorridos em Uberaba. Ele apresentou o acusado como um violento contumaz, pedindo para que os jurados rejeitassem o lado psiquiátrico.
O Conselho de Sentença, formado por duas mulheres e cinco homens, e por maioria, decidiu pela condenação, rejeitando a tese da defesa. Edson Fernandes foi condenado a 19 anos pelo assassinato da esposa, Jane; 18 anos pela morte de Dilza, e outros 19 anos pela morte da outra irmã, Luzia, totalizando uma pena de 56 anos de prisão em regime fechado. Pelo crime de porte de arma de fogo, ele foi condenado a um ano de prisão em regime fechado.
O julgamento foi acompanhado por familiares das vítimas e do acusado. Por diversos momentos, eles se emocionaram. Após a leitura da sentença, feita pelo juiz-presidente Fabiano Garcia Veronez, os familiares das vítimas não quiseram falar com a imprensa, mas agradeceram o promotor, do lado de fora do Fórum, pelo resultado final. Promotor considera pena justa, mas o advogado de defesa vai recorrer