
Carlos Francisco, devoto de Brecht e ator de “O Agente Secreto”, “Marte 1” e “Estranho Caminho”. (Foto/Reprodução)
O cinema brasileiro volta a ganhar projeção internacional com a seleção do longa-metragem “Feito Pipa” para a mostra competitiva Generation do 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale). Dirigido por Allan Deberton, o filme integra uma das competições do festival europeu e marca mais um destaque do país no cenário audiovisual mundial. No elenco está o ator mineiro Carlos Francisco, conhecido por interpretar Seu Alexandre em “O Agente Secreto”. Em “Feito Pipa”, ele divide a cena com Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, ampliando a força do elenco da produção.
A trama acompanha Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em ser jogador de futebol e vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de maneira afetuosa e livre. Quando a avó começa a demonstrar fragilidade, o garoto tenta esconder a situação por medo de ser separado dela e obrigado a morar com o pai Batista, papel de Carlos Francisco, com quem mantém uma relação marcada por conflitos, ausências e dificuldade de aceitação.
Produzido pela Deberton Filmes e pela Biônica Filmes, em coprodução com a Warner Bros., o longa terá distribuição nacional da Paris Filmes. A estreia mundial ocorrerá durante a Berlinale, que será realizada entre 12 e 22 de fevereiro de 2026. A mostra Generation é voltada a narrativas com protagonismo infantojuvenil e é reconhecida por revelar novos talentos e histórias sensíveis.
Com roteiro de André Araújo, o filme foi rodado em Quixadá e em municípios vizinhos do interior do Ceará. A história se desenvolve às margens da barragem de Araújo Lima, cenário que, após anos de seca, expõe as ruínas de uma cidade submersa, funcionando como metáfora para memórias familiares, segredos e afetos soterrados pelo tempo.
A seleção consolida a trajetória internacional de Allan Deberton, formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Com uma carreira premiada no curta-metragem, exibido em mais de 150 festivais, o diretor estreou nos longas com “Pacarrete”, vencedor de oito Kikitos no Festival de Gramado. Ao comentar a seleção, Deberton celebrou o reconhecimento da Berlinale como um símbolo da relevância de histórias sobre pertencimento, família e coragem.