O Banco Central já prevê que a inflação poderá ficar abaixo da meta de 4,5% neste ano e em 2010. A informação faz parte da ata do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), divulgada ontem. Essas previsões estão entre os motivos que levaram o Copom a anunciar, na semana passada, a queda na taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 12,75% ao ano. Foi o maior corte em cinco anos. A previsão de inflação abaixo da meta leva em consideração o que o BC chama de cenário de referência, com a Selic ainda em 13,75% ao ano. No caso de 2010, o BC destaca que o índice oficial de preços (IPCA) ficaria “sensivelmente” abaixo da meta. Outra previsão feita pela instituição, que considera a queda nos juros projetada pelos economistas na pesquisa Focus, aponta uma inflação “ao redor” da meta. O BC não divulga os números exatos, mas destacou que todas as previsões caíram em relação àquelas feitas na reunião do Copom, em dezembro. Para a instituição, a probabilidade de que pressões inflacionárias “inicialmente localizadas” apresentem riscos para a inflação futura diminuiu. “O conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado nos últimos trimestres tende a ser superado, gradativamente, em processo que deve ser liderado pelo comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços administrados deve mostrar maior persistência”, afirmou o Copom na ata. Logo após a reunião da semana passada, o BC já indicou que haverá novos cortes, a partir do próximo encontro para avaliar a Selic, no início de março. “O Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária [ou corte de juros], realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação.” De acordo com a pesquisa Focus, os economistas já esperam uma queda dos juros para 11% ao ano, até dezembro de 2009.