Variações no cenário econômico brasileiro e mundial não vão provocar demissão de mão de obra em massa na Black & Decker, mas deverão ter reflexos importantes no percentual de crescimento da empresa em 2014. De acordo com Domingos Dragone, diretor industrial da fábrica em Uberaba, o crescimento do mercado local está bem abaixo da expectativa em relação a 2013, que era de dois dígitos acima da inflação, que está entre 6% e 7%. Isso significa crescimento anual de 2% a 3%, enquanto que em anos melhores ficava entre 8% e 10%.
Ele explica que, no caso do crescimento de vendas, em que se olha a operação Stanley Black & Decker do Brasil, que é composta por produtos feitos em Uberaba e importados, a fábrica não está crescendo nem a inflação, ou seja, o crescimento é pior do que imaginavam. “Estamos crescendo abaixo da inflação, o que significa que crescemos nominalmente, mas não relativamente. Mesmo baixo, esse crescimento foi alavancado com produtos importados a despeito de toda a linha produzida localmente. Isso quer dizer que a fábrica em Uberaba perdeu volume em relação a 2013, porque o câmbio do dólar ficou no patamar de R$ 2,20, com o real ainda valorizado”, avalia.
Com o dólar cotado baixo, como o registrado ao longo de 2014, Dragone afirma que a fábrica em Uberaba perdeu vendas no Brasil e no mercado externo, já que o produto chinês entrou no país mais barato que a produção local, pois, com isso, a empresa perde a capacidade de geração de emprego. “Temos exportado pouco e não chega a 3% do volume local, também porque o dólar estava nesse patamar inferior. Indo para o novo patamar de dólar, aparentemente acima de R$ 2,40 e R$ 2,50, e permanecendo assim, abrem-se horizontes para voltarmos a exportar e, também, a crescer a produção local, porque os dois efeitos se revertem. Ou seja, o produto importado chega mais caro ao Brasil e a fábrica também pode voltar a exportar”, pontua.
Com essa perspectiva, a Black & Decker estuda a viabilidade de investir na produção de novos produtos em Uberaba, tendo em vista tanto o mercado local quanto o externo. A alternativa será associada ao crescimento dos produtos já produzidos pela fábrica, passando a vender e a exportar mais.
No entanto, o diretor industrial não acredita na possibilidade de demissão de mão de obra em massa na fábrica de Uberaba no final de 2014 e no início de 2015. “Estamos colhendo os frutos de um ano duro. Tivemos reestruturações nas áreas de apoio e suporte. A fábrica contrata ou demite, dependendo do volume de produção, e nesta época do ano deveríamos estar contratando, e não o fizemos este ano. E as saídas que temos são relativas à rotatividade natural”, completa.