Brasil figura entre os países com o maior crescimento de milionários no período, mas também como um dos mais desiguais
Neste ano, o número de milionários no Brasil apresentou uma alta de 42 mil pessoas em relação ao ano passado, chegando a 259 mil brasileiros com uma conta de seis dígitos. Em 2018, eram 217 mil pessoas, segundo dados da décima edição do Relatório de Riqueza Global do Credit Suisse.
Com esse resultado, o Brasil figura entre os países com o maior crescimento de milionários no período, atrás de Estados Unidos, Japão, China, Alemanha e Holanda, respectivamente.
O país se destaca ainda mais, se considerarmos o grupo de milionários “ultra high”, ou seja, com riqueza acima de US$ 50 milhões: foram 800 novos membros dessa categoria. A alta só perdeu para os americanos, que viram o número de milionários com patrimônio acima de US$ 50 milhões crescer 4,2 mil.
Se por um lado, os números para os mais ricos são otimistas, por outro só comprova o abismo de desigualdade que o país enfrenta. A pesquisa estima que o percentual 1% mais rico da população detém 49% de toda a riqueza familiar do país.
A tendência se mostra na contramão do padrão global. Isso porque a parcela de riqueza mundial concentrada no 1% no topo da pirâmide subiu entre 2007 e 2016 em todos os países analisados pelo estudo (com exceção da Índia), mas de lá para cá apresentou uma queda também em todos os países, com exceção do Brasil.
Além disso, a proporção de brasileiros com riqueza inferior a US$ 10 mil é maior do que a média observada globalmente: 70% no Brasil versus 58% no restante do mundo.
Segundo o relatório, o nível alto de desigualdade reflete em parte a alta desigualdade de renda, que é um dos problemas recorrentes do Brasil. “São dois fatores principais que contribuem com esse resultad baixo desempenho educacional em toda a força de trabalho e a divisão entre os setores formal e informal da economia”, diz o texto.
O Brasil enfrentou sérias dificuldades financeiras nos últimos anos e recentemente foram adotadas curvas de políticas destinadas que devem incentivar o crescimento, de acordo com o relatório. “Mas é muito cedo para dizer qual será o impacto na riqueza do país”.
Em termos de riqueza média das famílias, o número mais que triplicou entre 2000 e 2011, passando de US$ 7.050 por adulto para US$ 24.920. No entanto, ao analisar os dados de 2010 até 2019, a riqueza média caiu 3%, até chegar ao patamar atual de US$ 23.550 mil.