Paralisação de caminhoneiros deve ocorrer nos próximos dias (Foto/Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo)
Caminhoneiros de diferentes regiões do país articulam uma paralisação nacional que pode ser iniciada nos próximos dias, impulsionada pela alta do diesel. A mobilização tem ganhado apoio entre motoristas autônomos e contratados sob regime CLT e pode avançar caso não haja medidas do governo para conter os custos da atividade.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, a decisão vem sendo discutida em assembleias e reflete a dificuldade financeira enfrentada pela categoria. Em reunião realizada no Porto de Santos, a maioria dos participantes teria se manifestado favorável à paralisação.
A proposta tem alcance nacional e já reúne adesões em diferentes regiões, incluindo importantes polos portuários. De acordo com a liderança, o apoio ao movimento é majoritário entre os caminhoneiros.
A principal queixa da categoria é a influência de fatores internacionais no preço dos combustíveis, que impacta diretamente os custos no Brasil e dificulta o planejamento da atividade.
Ainda conforme representantes do setor, as negociações por melhorias ocorrem desde 2018, mas as medidas adotadas até agora são consideradas insuficientes. A avaliação é de que, sem soluções efetivas, há risco de paralisação total.
Recentemente, lideranças participaram de reunião na Casa Civil para discutir proposta que prevê a redução de tributos sobre o diesel. Mesmo assim, a categoria entende que a iniciativa não resolve o problema estrutural dos custos.
A orientação inicial é que a paralisação ocorra sem bloqueios de rodovias, para evitar penalidades. A recomendação é que os motoristas suspendam as atividades, permanecendo parados em casa ou em postos de combustível.
A Abrava reúne cerca de 35 mil caminhoneiros. No país, estimativas indicam a existência de aproximadamente 790 mil motoristas autônomos e cerca de 750 mil celetistas, o que amplia o potencial impacto de uma eventual paralisação no transporte de cargas e no abastecimento.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística também declarou apoio ao movimento, especialmente às mobilizações iniciadas no Porto de Santos. A entidade afirma que a paralisação reflete a insatisfação com o aumento do diesel e retoma reivindicações antigas da categoria.
Entre as principais demandas estão o cumprimento do piso mínimo do frete, a retomada da aposentadoria especial após 25 anos de contribuição, mudanças na política de distribuição de combustíveis e punições a empresas que descumprirem a tabela de frete. Segundo representantes do setor, essas medidas são consideradas essenciais para garantir a continuidade da atividade.