
Imagem ilustrativa de jovem estudando à distância com utilização de notebook (Foto/Alain Jocard/AFP)
A taxa de evasão nos cursos de ensino a distância da rede privada alcançou, em 2024, o maior nível da série histórica, com 41,9% dos alunos deixando os estudos. Os dados são do Mapa do Ensino Superior no Brasil, com base no Censo do Ensino Superior do MEC.
O aumento ocorre no mesmo ano em que o ensino a distância ultrapassou, pela primeira vez, o modelo presencial em número de estudantes no país. Dos 10,22 milhões de matriculados no ensino superior, 5,18 milhões estavam em cursos EAD, o equivalente a 50,75% do total.
A maior parte desses alunos está na rede privada, que concentra mais de 95% das matrículas nessa modalidade. Segundo o levantamento, os cursos a distância apresentam quase o dobro da taxa de evasão em comparação com os presenciais.
Considerando redes pública e privada, a evasão no EAD chegou a 41,6% em 2024, enquanto nos cursos presenciais ficou em 24,8%. Na rede privada, o abandono nos cursos presenciais foi de 26,6%, e na pública, de 21,4%. Já no ensino a distância, a evasão foi de 41,9% na rede privada e de 32,2% na pública.
O estudo também mostra que, enquanto o EAD registra aumento no abandono, os cursos presenciais vêm reduzindo a evasão desde a pandemia. Em 2020, o índice chegou a 28,5%, caindo gradualmente até os 24,8% atuais.
Outro dado preocupante está na trajetória dos estudantes ao longo do curso. Entre os alunos que ingressaram no EAD privado em 2020, apenas 23,6% concluíram a graduação até 2024, enquanto 68,1% desistiram. Nos cursos presenciais da rede privada, 27,8% se formaram e 59,7% abandonaram.
Na rede pública, os índices também são elevados. Quase metade dos estudantes de cursos a distância (48%) deixou a graduação ao longo de quatro anos. Nos cursos presenciais, a evasão foi de 45,9% no mesmo período.
Diante das preocupações com a qualidade do ensino, o governo federal alterou regras da modalidade em 2024. Entre as mudanças, cursos de formação de professores não podem mais ser oferecidos totalmente a distância, devendo adotar, no mínimo, o formato semipresencial.
O levantamento aponta que as licenciaturas concentram a maior parte das matrículas no ensino a distância, o que amplia o debate sobre os impactos da evasão na formação de profissionais da educação.