Levantamento indica liderança do Mounjaro em faturamento e forte expansão nas vendas da nova geração de medicamentos usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade
O mercado das chamadas canetas emagrecedoras somou R$ 13,3 bilhões em vendas no Brasil no intervalo de 12 meses entre maio de 2025 e maio de 2026, segundo levantamento da Close-Up International Brasil, empresa de dados do canal farmacêutico. O cálculo reúne o desempenho de Mounjaro, Wegovy e Ozempic nas farmácias e drogarias do país.
Entre os três medicamentos, o maior faturamento foi registrado pelo Mounjaro, da Lilly, com R$ 8.526.438.130 no período analisado. Na sequência aparecem o Wegovy, da Novo Nordisk, com R$ 3.746.430.341, e o Ozempic, também da Novo Nordisk, com R$ 1.102.886.227.
O desempenho do Mounjaro chama atenção porque o produto passou a ser comercializado oficialmente no Brasil em maio de 2025, depois do Wegovy, que chegou ao mercado brasileiro em julho de 2024. Mesmo com menos tempo disponível no país, o medicamento da Lilly teve faturamento mais de duas vezes superior ao do concorrente no recorte informado.
Na comparação por volume, o avanço do Mounjaro também foi o mais expressivo. As vendas passaram de 208.508 unidades até maio de 2025 para 4.524.183 unidades em maio de 2026, alta de cerca de 2.070% em um ano.
O Wegovy também cresceu em unidades comercializadas. O medicamento saiu de 2.232.120 vendas até maio de 2025 para 2.650.326 no mesmo mês de 2026, o que representa aumento de 18,73% em 12 meses.
Já o Ozempic apresentou retração no faturamento, de acordo com o levantamento. O valor caiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,1 bilhão no período citado.
A analista de dados de vendas e consumo da Close-Up International Brasil, Bianca Lamim, afirmou que a expansão desse mercado foi reforçada pela chegada de novos produtos. “Esse boom das canetas emagrecedoras foi impulsionado pelo surgimento de novos medicamentos. Esse movimento deve ser ainda mais reforçado após a queda da patente da semaglutida. A tendência é de crescimento nas vendas desses remédios nas farmácias”, disse.
Esses medicamentos fazem parte de uma classe conhecida como agonistas do receptor de GLP-1, sigla para peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, eles também passaram a ser buscados no controle da obesidade por atuarem na saciedade e no controle da glicose.
A ampliação do uso, porém, também reacendeu discussões sobre indicação correta, automedicação e necessidade de acompanhamento médico. Especialistas alertam que o tratamento da obesidade não deve ser reduzido apenas ao uso de remédios.
Coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Sbem, o endocrinologista Paulo Miranda defendeu que essas terapias sejam adotadas com avaliação individualizada. “Obesidade, sobrepeso e doenças associadas, como o diabetes tipo 2, são condições complexas e exigem uma abordagem ampla, que envolve diagnóstico correto, avaliação de exames, acompanhamento de possíveis efeitos adversos e, quando necessário, atuação de uma equipe multidisciplinar.”