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Carne vai ficar ainda mais cara? Economista faz alerta para os próximos meses

Preço da carne bovina subiu em 23 capitais entre agosto e setembro; entressafra e demanda internacional podem manter pressão sobre o mercado

Débora Meira
Publicado em 30/10/2026 às 14:02
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O preço da carne bovina pode continuar pressionando o orçamento das famílias nos próximos meses. A avaliação é do economista Marco Antônio Nogueira, que aponta a menor disponibilidade do produto no mercado e a demanda internacional como fatores que contribuem para a tendência de alta. Apesar da preocupação com a inflação, ele recomenda cautela antes de estocar alimentos. 

Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o economista afirmou que a carne já apresenta uma trajetória de encarecimento e que a tendência pode continuar. Ao orientar os consumidores sobre as compras para o fim do ano, ele destacou a importância de acompanhar os preços sem tomar decisões precipitadas. “Se você tiver um bom freezer, seria interessante guardar um pouco de carne nele, porque a carne já está subindo, tende a subir mais também”, afirma.  

O especialista, porém, fez uma ressalva sobre a compra em grandes quantidades. “Quanto à questão de estocar, precisa tomar um pouco de cuidado”, disse.  

A avaliação do economista encontra contexto nos dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre agosto e setembro de 2026, o preço da carne bovina de primeira aumentou em 23 das 27 capitais pesquisadas. Em 12 meses, houve alta em todas elas, com variações entre 3,78%, em Brasília, e 21,09%, em Rio Branco. 

Segundo o levantamento, a entressafra, que reduz a oferta de animais para abate, contribuiu para o movimento de alta. 

Durante a entrevista, Marco Antônio também mencionou dificuldades na oferta brasileira e a recuperação ainda incompleta do abate de bovinos nos Estados Unidos. Na avaliação dele, esses fatores se somam ao aumento do consumo de carne pela China e às condições do comércio internacional. “Há um déficit disso, seja da produção brasileira, seja do abate americano que ainda não se recompôs. E você tem uma China consumindo cada vez mais um pouco de carne”, explica.  

O economista acrescentou que, mesmo com restrições impostas pela China às importações de carne, os preços no mercado interno não recuaram, na análise apresentada durante a entrevista. 

Além da carne, outros alimentos também pressionaram o custo das compras em outubro. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 23 de outubro, mostram que os alimentos consumidos em casa subiram 1,01% no mês, após alta de 0,38% em setembro. 

Marco Antônio afirmou que a inflação anualizada já ultrapassava 5% no cenário discutido durante a entrevista, mas ponderou que os aumentos podem ocorrer de forma pontual. Para ele, o consumidor deve considerar a evolução dos preços e evitar compras motivadas exclusivamente pelo receio de novos reajustes. 

A recomendação é planejar as compras, comparar preços e avaliar a capacidade de armazenamento antes de adquirir grandes quantidades. No caso da carne, a possibilidade de novas altas não significa que todos os cortes terão o mesmo comportamento ou que os preços subirão na mesma proporção em todos os estabelecimentos.

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