DÍVIDA BILIONÁRIA

Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

Pedido envolve Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e Bartira; grupo prevê fechar quase 300 lojas e demitir cerca de 3 mil funcionários

Publicado em 17/08/2026 às 09:14
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O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo na noite deste domingo (16), declarando R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo tramita na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.

O pedido envolve dez empresas do grupo, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, pelo e-commerce Extra.com e pela fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias das áreas de logística e tecnologia.

Do total da dívida, R$ 16,4 bilhões são com credores quirografários, que não possuem garantias vinculadas aos débitos. Outros R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões são devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.

Grupo prevê demissões e fechamento de lojas

No documento apresentado à Justiça, a companhia informa que possui 30.117 funcionários e mais de 700 lojas físicas da marca Casas Bahia e mais de 65 unidades do Ponto Frio.

Como parte das medidas previstas para enfrentar a crise, o grupo aponta a possibilidade de demitir cerca de 3 mil trabalhadores e fechar quase 300 lojas.

A companhia já havia realizado uma reestruturação financeira recentemente. Em abril de 2024, a empresa homologou uma recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras.

Juros e crise financeira

Segundo a empresa, a atual crise é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão investimentos realizados desde 2019 em tecnologia, logística e operações digitais, além dos impactos provocados pela pandemia.

A companhia afirma que parte desses investimentos foi planejada em um período de juros baixos, quando a taxa Selic chegou a 2% ao ano. Posteriormente, a alta dos juros, que chegou a 15% ao ano, aumentou o custo de financiamento e pressionou a estrutura financeira.

O grupo também aponta o aumento da inflação, a redução do poder de compra das famílias, a inadimplência em carnês e cartões e a maior concorrência com plataformas digitais como fatores que agravaram a situação.

O chamado Plano de Transformação, iniciado em 2023, incluiu redução de despesas, controle de estoques e fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias. Segundo a companhia, as medidas produziram apenas um alívio temporário.

Casas Bahia teve prejuízo de R$ 10,1 bilhões

Além do pedido de recuperação judicial, a companhia informou neste domingo um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre, contra R$ 555 milhões negativos no mesmo período do ano anterior.

Com o resultado, o patrimônio líquido da empresa ficou negativo em R$ 8,1 bilhões. Na prática, isso significa que, caso todos os bens e direitos da companhia fossem utilizados para quitar as obrigações, ainda haveria um déficit bilionário.

A Casas Bahia também acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo. O último resultado positivo foi registrado no segundo trimestre de 2024.

Atualmente, o valor de mercado da empresa na Bolsa é estimado em cerca de R$ 660 milhões. A companhia deixou de ser controlada pela família Klein e tem como acionista de referência a gestora Mapa Capital, que assumiu 85,5% do capital em agosto de 2025.

Empresa pede medidas urgentes à Justiça

Na recuperação judicial, a Casas Bahia solicita medidas para evitar que a crise financeira interrompa as operações.

Entre os pedidos está a suspensão de execuções por 180 dias, além da proibição de vencimento antecipado de determinados contratos comerciais e financeiros.

A companhia também quer garantir a manutenção do fluxo de recebíveis e evitar que instituições financeiras retenham valores provenientes de operações com cartões e Pix.

Segundo a empresa, mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais poderiam ter vencimento antecipado, comprometendo o caixa necessário para manter as atividades.

A Casas Bahia ainda solicita a liberação de valores trabalhistas depositados em processos anteriores e a entrega de mercadorias que já foram compradas e estejam em trânsito.

A recuperação judicial agora será analisada pela Justiça, que deverá avaliar os pedidos apresentados pela companhia e os próximos passos do processo de reestruturação das dívidas.

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