O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira (17) diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O temor de uma retomada do conflito após o fim do prazo para um acordo de cessar-fogo levou o barril do Brent, referência mundial, a superar a marca de US$ 90.
O Brent chegou a US$ 91,19, alta de 3,01%, durante o pregão. No fechamento, a commodity ficou em US$ 91,10, avanço de 2,91%. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, terminou o dia cotado a US$ 84,25, com alta de 3,35%.
O prazo de 60 dias estabelecido para que os dois países chegassem a um acordo terminou na segunda-feira. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que não pretende prorrogar o cessar-fogo, enquanto o Irã declarou estar preparado para responder a uma eventual nova ofensiva.
Estreito de Hormuz preocupa mercado
Um dos principais pontos de tensão é o estreito de Hormuz, importante rota para o transporte mundial de petróleo e gás. Cerca de 20% da produção mundial dessas commodities passava pela região, mas o tráfego permanece abaixo da média.
A possibilidade de novos ataques e de restrições à circulação de embarcações pelo estreito aumenta a preocupação dos investidores e pode pressionar ainda mais os preços da energia.
Paquistão, Omã e Qatar tentaram intermediar um acordo entre os dois países, mas as negociações não chegaram a um consenso.
O Irã também passou a receber apoio dos houthis, grupo do Iêmen que atua na região e já realizou ataques contra embarcações que utilizavam rotas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
Combustíveis podem continuar pressionados
A escalada das tensões também aumenta a preocupação com os preços dos combustíveis. O governo norte-americano já alertou para a possibilidade de manutenção dos valores elevados em razão dos impactos da guerra sobre o mercado de energia.
Para analistas do setor, a incerteza sobre a segurança das rotas de transporte de petróleo é um dos principais fatores por trás da alta recente da commodity.
O cenário permanece dependente dos próximos movimentos dos governos dos Estados Unidos e do Irã e da possibilidade de retomada das negociações para evitar uma nova escalada do conflito.