Juiz explica como funcionam progressão de regime, liberdade condicional e os limites legais da execução penal no país
O caso do ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza ganhou repercussão nacional em 2010 após o desaparecimento da modelo Eliza Samudio, que havia acusado o jogador de agressão e cobrava o reconhecimento da paternidade de seu filho (Foto/Reprodução)
O assassinato de Eliza Samudio, um dos casos mais emblemáticos de violência contra a mulher no país nas últimas décadas, ainda levanta dúvidas sobre como funciona o cumprimento de pena no Brasil. Em entrevista ao programa Pingo do J, o juiz Fabiano Garcia Veronez explicou os limites legais que determinam a execução das penas no país e esclareceu o motivo pelo qual ex-goleiro Bruno Fernandes está atualmente em liberdade.
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Segundo o magistrado, as decisões judiciais seguem a legislação vigente à época do crime e respeitam o direito à defesa de todos os réus. “Ele respondeu com base na legislação da época, teve direito à defesa, o Ministério Público atuou e houve uma condenação”, afirmou Veronez, citando o caso do ex-goleiro, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010.
O juiz destaca que o sistema penal brasileiro não prevê pena perpétua. “O limite hoje, inclusive por força de lei, é de 40 anos de cumprimento efetivo de pena”, explica. Ou seja, mesmo em casos graves, como homicídio qualificado ou feminicídio, existe um teto para o tempo máximo de prisão, e decisões como progressão de regime podem ser aplicadas dentro desses parâmetros legais.
Veronez também reforça que o papel do juiz é julgar com base nas provas apresentadas no processo, dentro do modelo acusatório do país, que envolve atuação do Ministério Público, defesa e Judiciário. “Eu julgo com aquilo que chega para mim. Não posso inventar prova. O papel do juiz hoje é mais observador, justamente para preservar a imparcialidade”, acrescenta.
O caso do ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza ganhou repercussão nacional em 2010 após o desaparecimento da modelo Eliza Samudio, que havia acusado o jogador de agressão e cobrava o reconhecimento da paternidade de seu filho. As investigações da polícia indicaram que Eliza foi assassinada e que Bruno participou do crime com a ajuda de outras pessoas. Em 2013, ele foi condenado pela Justiça de Minas Gerais a mais de 22 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, além de ocultação de cadáver. Após cumprir parte da pena e obter progressão de regime ao longo dos anos, o ex-atleta passou a cumprir o restante da condenação em liberdade condicional, sob regras determinadas pela Justiça.
Fabiano Veronez lembra que compreender os limites legais é essencial para evitar interpretações equivocadas sobre casos de grande repercussão: o sistema busca equilibrar responsabilização criminal e respeito às regras processuais.