Pesquisa identificou envelhecimento biológico acelerado em mulheres ansiosas sobre envelhecer, especialmente aquelas preocupadas com declínio da saúde
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, identificou que mulheres que se sentem ansiosas em relação ao envelhecimento podem envelhecer de forma mais acelerada. A pesquisa, publicada no final de fevereiro no periódico "Psychoneuroendocrinology”, analisou dados de 726 mulheres e utilizou relógios epigenéticos para avaliar o envelhecimento celular em amostras de sangue.
A investigação, que teve como base o projeto “Midlife in the United States”, revelou que participantes com níveis mais elevados de ansiedade sobre envelhecer apresentaram indicadores de envelhecimento epigenético mais rápido.
"Nossa pesquisa sugere que experiências subjetivas podem estar impulsionando medidas objetivas de envelhecimento. A ansiedade relacionada ao envelhecimento não é meramente uma preocupação psicológica, mas pode deixar uma marca no corpo com consequências reais para a saúde”, afirmou a Mariana Rodrigues, estudante de doutorado na NYU School of Global Public Health e primeira autora do estudo, em comunicado.
Estudos anteriores já haviam demonstrado que o sofrimento psicológico contínuo pode influenciar o envelhecimento biológico por meio de mudanças epigenéticas. Essas alterações modificam a forma como os genes são ativados ou desativados. Pesquisas prévias também associaram esse tipo de envelhecimento epigenético acelerado ao declínio físico e ao maior risco de doenças relacionadas à idade.
Descobertas do estudo
As participantes relataram o quanto se preocupavam com três aspectos: tornar-se menos atraentes, desenvolver problemas de saúde ou estar velhas demais para ter filhos. A pesquisa observou que as preocupações sobre o declínio da saúde foram as mais ligadas ao envelhecimento biológico acelerado. Preocupações sobre aparência e fertilidade, por outro lado, não foram significativamente associadas ao envelhecimento epigenético.
Os cientistas também pontuaram que as preocupações com a saúde podem ser mais persistentes ao longo do tempo, enquanto as angústias em relação à beleza e à reprodução podem diminuir com a idade. Essa diferença pode explicar por que certos tipos de ansiedade relacionada ao envelhecimento mostraram associação com marcadores biológicos.
"Nossa pesquisa identifica a ansiedade sobre o envelhecimento como um determinante psicológico mensurável e modificável que parece estar moldando a biologia do envelhecimento”, explicou Adolfo Cuevas, professor associado de ciências sociais e comportamentais da NYU School of Global Public Health e autor sênior do estudo.
Os pesquisadores ressaltam que o estudo captura apenas um único ponto no tempo, portanto não é possível determinar causa e efeito ou descartar a influência de outros fatores no envelhecimento biológico. Alguns comportamentos de enfrentamento associados à ansiedade, como tabagismo ou uso de álcool, também podem ajudar a explicar a ligação observada.
Segundo os cientistas, pesquisas adicionais serão necessárias para compreender como a ansiedade sobre o envelhecimento afeta o envelhecimento biológico a longo prazo. "O envelhecimento é uma experiência universal. Precisamos iniciar um discurso sobre como nós, como sociedade — por meio de nossas normas, fatores estruturais e relacionamentos interpessoais — abordamos os desafios do envelhecimento", concluiu Mariana Rodrigues.
Fonte: O Tempo.