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Cientistas criam lentes de contato para tratar a depressão

Tratamento foi capaz de produzir melhorias equivalentes às obtidas com fluoxetina

Jéssica Malta/O Tempo
Publicado em 14/05/2026 às 14:14
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Nada de comprimidos. O tratamento para depressão proposto por um grupo de cientistas da Universidade de Yonsei, na Coreia do Sul, utiliza lentes de contato. Testadas ao longo de três semanas com camundongos com depressão induzida, as lentes foram capazes de produzir melhorias equivalentes às obtidas com a fluoxetina. 

Transparentes e flexíveis, os dispositivos possuem eletrodos integrados fabricados com camadas ultrafinas de óxido de gálio e platina. Através desses eletrodos, as lentes transmitem sinais elétricos leves para regiões cerebrais específicas relacionadas à depressão. Esse método utilizado pela tecnologia é chamado de interferência temporal.

A técnica funciona porque a retina se conecta a regiões cerebrais associadas ao humor. Foi justamente por isso que os cientistas testaram os olhos como vias para estimular o cérebro. Nos tratamentos já disponíveis para depressão, que incluem medicamentos, terapia eletroconvulsiva e implantes cerebrais, as mesmas regiões e circuitos cerebrais são atingidos. 

"Como o olho é anatomicamente parte do cérebro, nos perguntamos se uma simples lente de contato poderia servir como uma porta de entrada suave e não invasiva para os circuitos cerebrais que controlam o humor", afirmou Jang-Ung Park, cientista de materiais da Universidade Yonsei e autor sênior do estudo, ao Medical Express. 

Como a tecnologia funciona?

Segundo o cientista, os sinais enviados podem ser comparados a duas lanternas. “Cada feixe sozinho é fraco, mas onde eles se sobrepõem, um ponto brilhante aparece, e esse ponto brilhante pode ser criado longe das próprias lanternas. Nossa lente de contato faz o mesmo com dois sinais elétricos inofensivos”, explicou. "Mesmo que os eletrodos fiquem na superfície do olho, os sinais só se tornam ativos onde se encontram na retina, no fundo do olho, ativando suavemente a fiação natural que transporta o sinal para regiões cerebrais relacionadas ao humor", acrescentou o pesquisador.

Como a pesquisa foi feita?

Os experimentos envolveram tratamento diário de 30 minutos durante três semanas. Os pesquisadores compararam quatro grupos de camundongos: animais de controle não deprimidos, animais deprimidos sem tratamento, animais deprimidos que receberam interferência temporal e animais deprimidos tratados com fluoxetina.

A equipe utilizou ensaios comportamentais, registros eletrofisiológicos cerebrais e mediu biomarcadores sanguíneos e cerebrais associados à depressão. Após as análises, os cientistas notaram que o tratamento com as lentes de contato reduziu os sinais da doença nas três categorias avaliadas.

Registros da atividade cerebral também revelaram que o tratamento restaurou a conectividade entre o hipocampo e o córtex pré-frontal, uma  conexão que havia sido perdida devido à depressão.

Os animais que receberam estimulação por interferência temporal ainda apresentaram redução nos níveis de moléculas inflamatórias no cérebro. A corticosterona sanguínea diminuiu 48% em comparação aos camundongos deprimidos não tratados. Os níveis de serotonina aumentaram 47% quando comparados ao grupo de animais deprimidos sem tratamento.

Um modelo de aprendizado de máquina agrupou os camundongos com base em seu comportamento, atividade cerebral e níveis de biomarcadores. O modelo consistentemente agrupou os camundongos do grupo de tratamento com lentes de contato junto aos camundongos de controle não deprimidos.

"Ficamos impressionados que as melhorias apareceram juntas em comportamento, atividade cerebral e biologia e que o efeito foi comparável a um medicamento antidepressivo amplamente utilizado", afirmou Park.

Esta foi a primeira vez que lentes de contato inteligentes foram utilizadas para tratar um distúrbio cerebral. Anteriormente, esses dispositivos haviam sido usados para monitorar distúrbios oculares e metabólicos, medindo a pressão ocular ou níveis de glicose.

"Como qualquer nova tecnologia médica, nossas lentes de contato precisarão passar por avaliação clínica rigorosa em pacientes antes de chegar ao mercado", ressalta Park. "A seguir, planejamos tornar a lente totalmente sem fio, testá-la para segurança de longo prazo em animais maiores e personalizar a estimulação para cada usuário antes de avançar para ensaios clínicos em pacientes", complementou o pesquisador.

"Nosso trabalho abre uma fronteira inteiramente nova de tratamento de distúrbios cerebrais através do olho. Acreditamos que essa abordagem vestível e livre de medicamentos tem um tremendo potencial para transformar como a depressão e outras condições cerebrais são tratadas, incluindo ansiedade, dependência de drogas e declínio cognitivo”, conclui. 

Fonte: O Tempo

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