Uma morte pela doença já foi confirmada no município após as chuvas extremas de fevereiro
Ubá, na Zona da Mata, ficou debaixo d'água com chuvas extremas (Foto: Rodney Costa / O TEMPO)
O aumento de notificações de casos suspeitos de leptospirose na Zona da Mata, principalmente em Ubá — um dos municípios mais afetados por enchentes e enxurradas durante as chuvas extremas de fevereiro — ainda não acende alerta para surto na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Conforme o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, os registros são naturais diante da tragédia climática, mas, após a análise dos exames, a expectativa é de que a maioria dos casos não se confirme.
“Em uma situação de pós-enchente, médicos e enfermeiros devem notificar a doença diante de qualquer sintoma suspeito. Por isso, o aumento de registros é natural. Tivemos um óbito, mas os casos ainda não estão acima da média, e a maioria deve dar negativo”, afirmou Baccheretti.
De acordo com o último boletim da Secretaria Municipal de Ubá, divulgado nesta segunda-feira (16), há 118 notificações de casos suspeitos de leptospirose desde 24 de fevereiro, quando a cidade registrou um dos maiores temporais de sua história. Desse total, 19 foram descartados e 98 seguem em investigação, aguardando os resultados de exames laboratoriais realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte.
Até o momento, o único diagnóstico confirmado é o de uma ubaense de 33 anos, que morreu em decorrência da leptospirose — doença transmitida pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de ratos.
“Seguimos acompanhando diariamente os registros de leptospirose em todos os municípios que tiveram enchentes. A leptospirose é uma doença que não tem vacina, então precisamos manter os cuidados e fazer o diagnóstico precoce para iniciar o tratamento. Por enquanto, não podemos falar em surto”, reforçou Fábio Baccheretti.
Atenção aos sintomas!
Qualquer pessoa que teve contato com a água da enchente ou com enxurradas pode ter contraído leptospirose. A Secretaria Municipal de Saúde de Ubá orienta a população a ficar atenta aos principais sintomas da doença, como:
A Secretaria também reforça a importância de redobrar os cuidados durante a limpeza de casas, comércios e áreas atingidas pela enchente, utilizando luvas, botas e outros equipamentos de proteção ao manusear objetos que tiveram contato com água ou lama possivelmente contaminadas.
Ao apresentar esses sinais, a recomendação é procurar uma Unidade de Saúde para avaliação médica e notificação do caso.
Casos graves
Em situações mais graves — como febre alta persistente, vômitos intensos, dificuldade para respirar ou piora do estado geral — a orientação é buscar atendimento imediato em um hospital.
"As equipes de saúde seguem monitorando a situação e intensificando as ações de prevenção, orientação à população e acompanhamento dos casos no município", informou a prefeitura de Ubá.
Governo de Minas reforça assistência à saúde em Ubá
O Governo de Minas informou que está destinando cerca de R$ 8,3 milhões ao município de Ubá, por meio de adiantamentos e reforços financeiros emergenciais, para fortalecer a assistência à saúde e apoiar a reorganização dos serviços. "Entre outras medidas emergenciais, a SES-MG enviou novas câmaras frias para recompor a estrutura de armazenamento de medicamentos e vacinas", acrescentou.
No dia 24/2, a pasta publicou alerta epidemiológico com orientações aos serviços de saúde e à população, reforçando a necessidade de intensificar ações de vigilância, controle vetorial e mobilização comunitária. Além de recomendações técnicas repassadas neste mês, para prevenção de doenças.
Fonte: O Tempo