O consumo em supermercados, atacarejos e mercearias cresceu 6,5% no Brasil na primeira semana de outubro, em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi registrado após a proibição das apostas on-line no país e, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), pode estar relacionado à mudança na destinação do dinheiro das famílias.
O levantamento considera o período de 5 a 11 de outubro. Na semana seguinte, entre os dias 12 e 18, o varejo alimentar manteve o crescimento, com alta de 6,3% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Os dados foram divulgados pela entidade nesta quarta-feira (28).
Segundo a Abras, o aumento foi observado principalmente na compra de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. A associação avalia que a restrição às apostas pode ter contribuído para que parte do orçamento das famílias fosse direcionada ao consumo de alimentos.
Minas Gerais registra alta de 10,6%
Na primeira semana analisada, a região que reúne Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro registrou crescimento de 10,6% nas compras, mesmo percentual observado na Região Sul.
No Nordeste, a alta foi de 6,5%, enquanto o interior de São Paulo registrou avanço de 5,6%. Na Grande Rio de Janeiro, o crescimento foi de 4%. Já o Centro-Oeste teve aumento de 3,6%, e a Grande São Paulo, de 1,2%.
Na semana de 12 a 18 de outubro, o Sul apresentou alta de 9%, seguido pela região de Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, com 7,1%.
Transações via Pix também caíram
A Abras relaciona o avanço do consumo à redução das movimentações financeiras associadas às apostas. Segundo dados do Banco Central citados pela entidade, o número de transações via Pix caiu inicialmente 10% após a proibição das bets. Posteriormente, a redução passou a 7%.
A restrição às apostas foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. A Abras considera que a mudança pode ter contribuído para o aumento das compras de itens básicos.
Apesar da coincidência entre a queda nas transações e a alta no varejo alimentar, os dados apresentados não comprovam, isoladamente, que a proibição das apostas tenha causado o crescimento do consumo.